Rodrigo tem 9 anos e é hoje a criança mais conhecida no país. No dia 5 de dezembro viajava com a mãe e os dois irmãos gémeos, de seis anos, no carro da família, em Malpica do Tejo. Uma aldeia do concelho de Castelo Branco, banhada pelo rio Tejo, que avista Espanha na outra margem. A mãe, de 35 anos, sofre do coração e já tem um pacemaker. Desmaiou ao volante do carro da família. O Rodrigo ia ao seu lado. Ligou para o 112 e salvou-a de um desfecho triste.
A história foi agora divulgada pelo Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) para assinalar o Dia Europeu do 112. O pequeno Rodrigo teve a calma necessária para ligar a pedir socorro e para interagir com João, o operador do INEM que o atendeu do outro lado da linha. Momentos antes, o aluno do 4.º ano de escolaridade na Escola EB João Roíz, em Castelo Branco, perguntava à mãe se esta se sentia bem.
–“Dói-me o peito. Sabes o que fazer em caso de emergência?”, respondeu Naidilei Pinto, a jovem mulher, com os três filhos no carro. E Rodrigo sabia muito bem como agir. A sua determinação e o saber ouvir foram determinantes.
A assistência chegou em 23 minutos. Tempo recorde, se atendermos a que os cerca de 20 quilómetros entre a cidade e a aldeia percorrem uma estrada com muitas curvas. A conversa entre João e Rodrigo comove. Comove pelo tom do diálogo, do carinho e da resposta que, em conjunto, conseguiram dar à situação. Demonstra também o quanto é importante a escola ensinar e ensaiar procedimentos relacionados com o socorro e a proteção civil desde a tenra idade. Não sabemos se foi o caso. Mas o Rodrigo agiu como um profissional experimentado. Com nove anos.
Ao ouvirmos o áudio partilhado pelo INEM não ficamos indiferentes. Infelizmente sempre que o Instituto Nacional de Emergência Médica e o SNS aparecem na comunicação social é por notícias negativas. Esse facto cria na opinião pública uma perceção incorreta do funcionamento daqueles dois serviços. Entidades que com os seus profissionais socorrem e tratam qualquer cidadão, pobre ou rico, magro ou gordo, português ou estrangeiro.
A história de Rodrigo demorou a ser divulgada. Provavelmente em dezembro as televisões, os jornais e as rádios estavam preocupados com os tempos de espera das urgências hospitalares ou com o tempo de resposta do INEM às situações de socorro - esta semana foi revelado um dado preocupante: 66% das chamadas recebidas no 112 não são emergências (há até quem peça pizzas!).
Ao contrário do que muitos jornalistas, editores e diretores de comunicação apregoam, as notícias positivas também são lidas, vistas e escutadas. Sei, por experiência própria, que há uma corrente no jornalismo –a que me oponho - segundo a qual só o que é negativo (crime, acidentes, catástrofes, morte) é que deve ser valorizado, com o argumento que são essas as notícias que as pessoas querem ler. Que no fundo não há lugar para dar destaque a notícias positivas.
O Rodrigo com o seu exemplo não salvou apenas a mãe. Mudou também a perceção que os cidadãos têm sobre aqueles dois serviços essenciais para o país e para o modo como a comunicação social deve olhar para casos de sucesso na área da saúde. E há muito mais situações com final feliz do que o contrário. Ninguém ficou indiferente a esta história e estou certo que os portugueses sentiram orgulho dos seus serviços e dos seus profissionais.
Obrigado Rodrigo.