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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXIII

Joaquim Brigas, presidente do Politécnico da Guarda IPG aposta na aproximação às empresas e em formações inovadoras 26-04-2021

O Instituto Politécnico da Guarda está a reforçar a sua relação com o tecido empresarial e associativo. Fruto dessa aproximação surgiram ofertas formativas pensadas pelas empresas e desenvolvidas pelo IPG. Joaquim Brigas, presidente da instituição, realça isso mesmo em entrevista ao Ensino Magazine.
O responsável pelo Politécnico da Guarda fala também do modo como a instituição tem respondido às limitações provocadas pela pandemia, dando como exemplo o investimento de meio milhão de euros em equipamentos informáticos. Joaquim Brigas aborda ainda a importância que o Geopark Estrela e que o futuro porto seco da Guarda podem assumir como projetos âncora da região.

Este ano letivo está ainda a sofrer os efeitos de pandemia. De que modo o IPG se adaptou e que medidas foram tomadas?
Foram tomadas as medidas exigidas pela Direção Geral de Saúde e pelo Ministério da Ciência e do Ensino Superior e que todas as instituições de ensino superior adotaram. Com as escolas e com o nosso gabinete de planeamento efetuámos o estudo dos espaços para colocar sinalética e meios de higiene e segurança para garantirmos que, dentro da instituição, o Politécnico seja um espaço seguro.

Numa outra perspetiva, uma das medidas adotadas resulta num investimento de meio milhão de euros na rede de internet e em equipamentos informáticos…
A alteração, forçada, de termos que implementar o ensino a distância, obrigou a uma adaptação e a um esforço muito grande por parte de professores e alunos. Contudo, havia necessidade de reforçar os equipamentos tecnológicos, a rede e os sistemas de videoconferência. Tivemos que nos modernizar e efetuámos um investimento elevado, com o apoio da FCT e com verbas da própria instituição que fomos captar ao POCH. O objetivo foi o de proporcionar um ensino de melhor qualidade, pois essa é a preocupação que qualquer instituição de ensino deve ter. Com a pandemia as condições alteraram-se e nós criámos os meios necessários. Foi também uma forma de não deixar ninguém para trás.

Recentemente o Politécnico da Guarda criou uma unidade da Rede Europeia de Blockchain (EBSI), numa iniciativa da Comissão Europeia para digitalizar os serviços públicos dos Estados-membros. Como é que surgiu esta possibilidade?
Esta unidade resulta de uma parceria com uma empresa local, a partir da qual efetuámos uma candidatura, que foi aprovada, para que o Politécnico da Guarda fosse o primeiro polo português de Blockchain. Em termos de inovação é uma aposta ganha, pois irá permitir que este tipo de tecnologia se desenvolva e que no Politécnico da Guarda se invista mais nela, num trabalho formativo que envolve professores e alunos. Para além desta candidatura, há outras que estão em curso e em que o Politécnico da Guarda vai continuar a apostar.

Qual o objetivo desta unidade?
Passa, por exemplo, pela digitalização de serviços, e pelo reconhecimento, entre os pares, na validação da informação. No que se refere ao reconhecimento dos graus académicos ou de diplomas, estes polos permitirão que quando se apresenta um currículo é fácil confirmá-lo e validá-lo em qualquer instituição que faça parte desta rede, de uma forma muito simplificada.

Ao nível da oferta formativa foi anunciada uma pós graduação em Enoturismo. É uma oferta que vem dar resposta ao setor do turismo e vitivinícola?
O Politécnico da Guarda tem apostado muito numa relação próxima com as empresas e com instituições públicas e privadas, desafiando-as, no bom sentido, para identificarem necessidades formativas e serem nossas parceiras. Isto para que, em conjunto, possamos avançar com formações que correspondam às necessidades que essas instituições e empresas identificam. A pós-graduação em Enoturismo é um exemplo, à semelhança do que já tinham sido feito anteriormente, por exemplo, em Gestão de Projetos, que fizemos com uma associação portuguesa, (cuja segunda edição irá também avançar). No caso concreto do Enoturismo desenvolve-mo-la em parceria com a Comissão Vitivinícola da Beira Interior e a procura superou as expectativas iniciais. Este tipo de cooperção efetiva com as empresas e entidades tem que estar presente nas instituições, particularmente nas politécnicas e, sobretudo, nas regiões do interior, por forma a criar dinâmicas para dar resposta a necessidades concretas e ao mesmo tempo em termos formativos. No interior do país tem-se a vantagem de realizar formações de qualidade e mais económicas, com a mais valia de aqui termos uma melhor qualidade de vida.

Estão previstas novas ofertas para o próximo ano letivo?
Sim. Muito em breve vão avançar duas novas pós-graduações. Uma em Proteção Civil e Media, que foi desenhada conjuntamente com a Escola Nacional de Bombeiros e com federações de bombeiros. Trata-se de uma formação apresentada em 2019, no Dia do IPG, numa cerimónia que contou com a presença da Secretária de Estado da Proteção Civil.
A outra pós-graduação será na área da logística e foi totalmente desenhada com empresas do setor. O resultado é aquilo que elas identificaram como necessário. É um produto com coordenação académica assegurada pelo Politécnico da Guarda, mas onde está espelhado aquilo que as empresas da região, sejam multinacionais ou não, dizem ser necessário. É uma formação que não é puramente académica, pois para isso temos um mestrado e formação inicial na área da gestão.

Esta é também uma antecipação ao futuro porto seco que poderá ser instalado na Guarda, como grande plataforma logística?
Sim, esta formação tem essa pertinência. Estrategicamente o Governo, com algumas empresas, verificaram ser muito importante a implementação de um porto seco na Guarda. E nós, atempadamente, avançamos com uma pós-graduação na área da logística. Mas estamos atentos para desenvolver outras formações. As empresas podem contar com o IPG como parceiro para isso. O Politécnico tem aqui um papel fundamental para o desenvolvimento das regiões em que está inserida. A avançar este porto seco, estaremos disponíveis, na primeira linha, para a qualificação e requalificação dos recursos humanos.

A descentralização de ofertas para outros concelhos, através de CTESP’s, é uma das suas prioridades. Como está a decorrer o processo?
Estamos a trabalhar nele. A pandemia veio criar dificuldades. Temos cursos pensados para Fornos de Algodres, Sabugal e Pinhel. Neste momento já existe, por parte das autarquias, a disponibilização de espaços para o seu funcionamento e para residências de estudantes. Contamos que em setembro/outubro possamos avançar com esses CTESP descentralizados.

E ao nível da formação inicial, estão previstas novas ofertas?
Este ano vamos lecionar, pela primeira vez, a licenciatura em Atividade Física Saúde e Bem Estar. Além disso, iremos abrir mais seis CTESP, que vão da área do ramo automóvel até à de guias da natureza. Este último resulta de uma parceria entre o Politécnico da Guarda com a associação Geopark Estrela, e permite formar técnicos para ajudar a explicar aos turistas ou aos alunos das escolas secundárias o território do nosso geoparque.

Essa é uma ligação entre o Politécnico da Guarda e o Geopark Estrela. Podem vir a ser desenvolvidas outras iniciativas, quer formativas, quer de investigação?
Estamos a pensar em mais produtos que possam dar resposta às necessidades dos concelhos que fazem parte do território Geopark Estrela. É pela qualificação dos recursos que conseguimos melhorar os serviços a prestar. Numa outra dimensão, a investigação também é importante. Temos projetos em curso, também em parceria com a Universidade da Beira Interior que faz parte do Geopark Estrela. Vamos continuar nesta linha, com formação, através de Ctesp ou outros, e com investigação.

O Politécnico da Guarda é um dos fundadores do Geopark Estrela e o professor Joaquim Brigas é o presidente da Associação responsável. Quando é que o projeto pode entrar em velocidade cruzeiro?
Estamos com uma intensa atividade ao nível da investigação. Temos tido a preocupação identificar necessidades e apresentar produtos, como o CTESP em Guias da Natureza, para colmatar lacunas. Além disso, o Politécnico da Guarda está a organizar, em articulação m com o Ministério, para durante o período da presidência de Portugal na União Europeia, um encontro europeu de geoparques.

O Geopark Estrela pode ser um dos projetos âncora para esta região?
Pode ser um deles, como também o será o porto seco. A questão do Geopark, com o reconhecimento da Unesco, e a instalação do porto seco na Guarda, serão duas âncoras importantes para o desenvolvimento deste território.

Recentemente foi eleito o novo Conselho Geral do IPG e o seu presidente, Carvalho Rodrigues. Qual a sua expectativa de funcionamento deste órgão com os novos conselheiros?
A eleição do professor Carvalho Rodrigues, um cientista reconhecido internacionalmente e que está associado ao primeiro satélite português, foi uma escolha acertada do Conselho Geral. Certamente que será um mais valia para o IPG e para a região. É uma pessoa que conhece muito bem o território, com artigos publicados sobre essas questões, afirmando mesmo que a causa dos problemas não está no interior do país mas sim no litoral. E poderá levar o Conselho Geral a realizar novas reflexões para que o Politécnico da Guarda tenha um caminho mais acertado para ajudar a resolver os problemas do nosso interior.

Neste momento está a decorrer uma petição para a Assembleia da República no sentido de ser alterada a designação dos politécnico para universidades. Essa é uma alteração necessária?
É uma alteração que foi aprovada ao nível do Conselho Coordenador do Politécnicos, que se prende com designação das instituições, sobretudo junto das nossas congéneres internacionais, onde a maioria das instituições não identifica o termo Instituto Politécnico, mas sim o de Universidade Politécnica. Portanto a designação vai ajudar-nos internacionalmente. Por outro lado, internamente, vai acabar com o estigma que o ensino politécnico é um ensino de segunda, quando isso não é verdade.
Nessa petição é também referida a possibilidade de atribuirmos grau de doutoramento é importante. No caso do Politécnico da Guarda essa não é, para já, a prioridade embora tenhamos recursos qualificados, em determinadas áreas, para o fazer. Mas temos tido uma boa articulação regional com universidades para desenvolver esse tipo de formação. O importante para o IPG é contribuirmos para o desenvolvimento da região em que estamos inseridos, sem esquecer as dimensões nacional e internacional.

Essa relação internacional do IPG pode ir mais além dos países de língua portuguesa, por exemplo com a América Latina?
Sim e até outras geografias, como a Índia. É um trabalho que estamos a fazer, no sentido de captarmos alunos para áreas em que internamente temos menos procura, apesar das necessidades das empresas. Falo das engenharias e que são muito procurados pelos alunos indianos.

 
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