A Universidade de Évora promoveu, no passado dia 11 de fevereiro, a conferência “À Conversa com Mulheres na Ciência”. A iniciativa teve a parceria da rádio DianaFM.
A sessão, aberta ao público e coordenada pela Vice-Reitora para a Comunicação, Promoção Institucional e Informação Documental, Noémi Marujo constituiu um momento de reflexão sobre as experiências, os desafios e as perspetivas de mulheres que se destacam no universo científico, em consonância com a prioridade institucional de valorizar o contributo das mulheres para o avanço do conhecimento e o desenvolvimento da sociedade.
Noémi Marujo agradeceu às palestrantes “a generosidade de aceitarem este desafio de partilhar trajetórias e reflexões tão pertinentes”, estendendo o reconhecimento “a todos aqueles que, diariamente, trabalham em parceria com a Reitoria para a projeção e divulgação científica da Universidade de Évora”. “Somos uma universidade do interior — não produzimos menos, apenas temos de divulgar melhor”, sublinhou, salientando a importância da visibilidade da ciência produzida em contextos académicos geograficamente periféricos.
Citada na nota enviada à nossa redação, Maria João Costa, vice-reitora para a Investigação, Inovação e Internacionalização da Universidade de Évora, enfatizou a dimensão estratégica das políticas científicas: “O nosso compromisso é desenvolver a estratégia da universidade nas áreas da inovação, investigação e internacionalização e, acima de tudo, garantir que aquilo que desenvolvemos tem impacto real. É imperativo implementar políticas que assegurem condições para o desenvolvimento de ciência de excelência”.
No seu entender, “importa perceber como a Universidade de Évora pode assumir um papel preponderante na comunidade através da ciência”. A sessão contou com os testemunhos de Fátima Batista, Fátima Nunes, Helena Adão e Evanthia Balla.
Fátima Baptista, diretora do Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED), sublinhou que, embora a sua atuação combine gestão e ciência, não se pode dissociar uma da outra: “A gestão, a definição da estratégia do centro, a ligação entre os vários polos e a representação institucional só são realizadas com eficácia porque existe uma equipa de excelência que trabalha para o mesmo propósito”.
Citada na mesma nota, Maria Fátima Nunes, coordenadora Científica do Instituto de História Contemporânea (IHC), recorda que a presença das mulheres no discurso científico remonta há séculos, mas o seu protagonismo tem sido historicamente obscurecido. “Quer seja em História ou em qualquer área científica aqui representada, as mulheres sempre estiveram presentes. O que hoje reconhecemos é que, desde o século XVIII, percecionamos o impacto profundo que muitas mulheres tiveram na ciência, ainda que a visibilidade lhes tenha sido negada — casos paradigmáticos multiplicam-se ao longo da história”.
Para Fátima Nunes, “é essencial que os gestores sejam também cientistas com experiência prática, porque gestão e ciência estão de mãos dadas”, lembrando que “uma mulher cientista não tem horário de trabalho”, pelo que a paixão pelo conhecimento é condição sine qua non para conciliar com a vida pessoal e familiar.
Helena Adão, vice-diretora do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE-UÉ), abordou o imperativo de criar condições que não só integrem as mulheres no espaço científico, mas também assegurem que o património científico que aportam não se perca por ausência de políticas efetivas de conciliação: “Perante sinais de retrocesso civilizacional que parecem emergir em diferentes contextos, sinto o peso e a responsabilidade de, ao lidar com jovens, lhes transmitir que vivemos em democracia, com igualdade de direitos. Estratégias concretas que reforcem este princípio são indispensáveis.” Destacou ainda que a motivação e a paixão pelo que se faz são características que reconhece transversalmente na comunidade científica.
Finalmente, Evanthia Balla, coordenadora Científica do Centro de Investigação em Ciência Política (CICP), reforçou a dimensão pedagógica e social da igualdade de género. “Ainda hoje, no contexto familiar, o peso que a mulher assume continua a ser superior ao do homem, e esta realidade é uma questão que também se inscreve na educação e na evolução dos modelos sociais. As universidades desempenham um papel fulcral neste processo, promovendo estratégias que olhem para as pessoas como sujeitos e não como números.” Sublinhou ainda a importância de sistemas organizacionais mais humanos, capazes de responder às necessidades de uma ciência inclusiva, e destacou a curiosidade intelectual como traço definidor da prática científica.