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Localização de áreas de erosão após fogo Aveiro cria ferramenta

16-03-2022

Um grupo de investigadores do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar, da Universidade de Aveiro, desenvolveu um mapa de risco de erosão do solo após incêndio para Portugal Continental. A ferramenta, desenvolvida no âmbito do projeto FEMME, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia, permite identificar áreas prioritárias para mitigação dos impactos dos incêndios na erosão do solo.
O estudo, publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature, e assinado pelos investigadores Joana Parente, Antonio Girona-García, Ana Rita Lopes, Jan Jacob Keizer e Diana Vieira, indica que, em condições de elevada severidade do incêndio, a zona Centro-Norte do país revela um risco muito elevado de erosão do solo após incêndio. Para este facto contribuem a topografia, o regime de precipitação e o tipo de vegetação característico.
Coincidentemente, a zona Centro-Norte do país também é uma das zonas com maior recorrência de incêndios e, ao mesmo tempo, providencia serviços de ecossistemas importantes para o país, inclusive serviços ligados à quantidade e qualidade da água para fins de consumo humano, sublinhando a importância de uma gestão de fogos rurais que integra a prevenção, o combate e o restauro pós-fogo.
Os incêndios rurais são um fenómeno recorrente em Portugal. É um problema complexo que possui uma dinâmica que envolve múltiplas vertentes, entre as quais se destacam os fatores ambientais, sociais, económicos e políticos. Entre os vários impactos ambientais causados pelos incêndios rurais estão aqueles causados ao solo, que em conjunto com a combustão da vegetação, causam a sua erosão acelerada.
Os impactos da erosão do solo após fogo, para além de contribuírem para a perda de solo, que é um recurso natural não-renovável, aumentam a suscetibilidade à ocorrência de inundações, danos em infraestruturas hidráulicas e rodoviárias, assoreamento em barragens, e contaminação de cursos e massas de água pelo transporte de sedimentos e cinzas.
O transporte de cinzas e sedimentos para grandes massas de água têm sido reportados como relevantes, não só em Portugal, mas também noutras partes do mundo. Como tal, a mitigação do risco de erosão deve ser feita antes da ocorrência das primeiras chuvas após o incêndio, especialmente em áreas onde este risco é elevado.

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