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Investigação Universidade de Évora lidera projeto para sequestrar CO2 20-01-2021

A Universidade de Évora está a liderar um estudo, inserido no projeto europeu PilotSTRATEGY - CO2 Geological Pilots in Strategic Territories, que visa identificar potenciais locais para instalações-piloto de armazenamento geológico de CO2, tecnologia que evita a libertação para a atmosfera do dióxido de carbono produzido pelas indústrias dos setores eletroprodutor, siderúrgico ou cimenteiro. O anúncio foi feito ao Ensino Magazine pela própria instituição.

Na nota enviada à nossa redação é explicado que o projeto tem uma dotação orçamental global superior a 10 milhões de Euros, e é coordenado na Universidade de Évora (UÉ) por Júlio Carneiro, investigador do Instituto de Ciências da Terra (ICT) e professor no Departamento de Geociências.

De acordo com a UÉ “em causa está o armazenamento geológico de CO2 como tecnologia de mitigação das alterações climáticas, a caraterização geológica e a apresentação de estudos de engenharia preliminares que permitam o suporte técnico e científico necessário para uma decisão final sobre o financiamento de instalações-piloto de armazenamento de CO2 em formações geológicas da Bacia Lusitaniana (Portugal), Bacia de Paris (França) e da Bacia do Ebro (Espanha)”.

Citado na mesma nota, Júlio Carneiro explica que o armazenamento geológico de CO2 (uma componente das tecnologias CCUS- Captação, Utilização e Armazenamento Geológico de Dióxido de Carbono) “baseia-se na devolução do carbono à sua origem”, entendida como a utilização de formações geológicas como locais seguros para o armazenamento de CO2 capturado em grandes fontes estacionárias, destacando-se as cimenteiras, termoelétricas, refinarias e outras.

O investigador da UÉ revela que “o armazenamento geológico evita a libertação para a atmosfera do CO2 produzido por aquelas indústrias, pois o gás é injetado no subsolo, a grandes profundidades, onde fica sequestrado nas rochas de forma permanente”.

No entender de Júlio Carneiro, este processo permite “aos sectores industriais e electroprodutores reduzir as suas emissões de gases com efeito de estufa”.
De igual modo acrescenta que “estas tecnologias contribuem também para um sistema de economia circular, uma vez que o CO2 capturado pode ser reutilizado na produção de metano, de combustíveis sintéticos e em várias outras aplicações”.

Ainda na mesma nota, Júlio Carneiro exemplifica que “no sector cimenteiro cerca de 2/3 das emissões resultam do próprio processo de produção do cimento e não da utilização de combustíveis fósseis, não podendo, por isso, ser evitadas através de uma transição para fontes de energia renovável”.

A própria Estratégia Nacional do Hidrogénio, recentemente aprovada, “reserva um papel significativo para as tecnologias CCUS, pois perspetiva um papel importante para os combustíveis sintéticos, produzidos a partir do hidrogénio e de CO2 que deve ser capturado em grandes fontes estacionárias” explica o professor da Universidade de Évora.

 
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