O Politécnico de Setúbal (IPS), através do seu polo de inovação tecnológica em parceria com o Instituto CCG/ZGDV, está a desenvolver uma nova plataforma de imagiologia médica de precisão, que promete facilitar a deteção e diagnóstico de doenças crónicas não transmissíveis, como o cancro da mama e do pulmão.
O projeto PRIMED, que está a ser desenvolvido no Laboratório de Processamento de Imagem Médica, a funcionar no IPS desde o passado mês de julho, recorre a inteligência artificial (IA) e a grandes volumes de dados clínicos e médicos (casos de pacientes), para apoiar os profissionais de saúde na tomada de decisões mais informadas, rápidas e seguras.
O projeto parte da evidência científica de que a combinação de dados clínicos, exames de imagem e informação biológica pode melhorar significativamente o diagnóstico e o prognóstico do cancro. No entanto, esta compilação de informação enfrenta vários obstáculos, nomeadamente em matéria de proteção dos dados pessoais de saúde dos pacientes e exigências legais e éticas associadas.
Miguel Angel Guevara López, coordenador do projeto, sublinha que o objetivo é criar confiança nas ferramentas digitais e garantir que os dados dos pacientes estão protegidos em conformidade com o RGPD. A investigação prevê realizar testes em ambiente clínico real nas unidades de saúde locais para avaliar o impacto direto da tecnologia na melhoria da qualidade de vida.
O projeto de investigação é financiado pelo Programa Lisboa 2030, no âmbito dos apoios à contratação de recursos humanos altamente qualificados para as áreas científica e tecnológica. Conta também com dois importantes parceiros da região, as Unidades Locais de Saúde da Arrábida e de Almada-Seixal, onde se prevê que sejam feitos testes em ambiente clínico real, permitindo avaliar o impacto concreto da tecnologia na prática médica.