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Politécnico Politécnico de Leiria estuda impacto na população para autoridades melhorarem resposta

08-04-2026

O Instituto Politécnico de Leiria (IPL) está a estudar o impacto da depressão Kristin junto da população para no futuro entidades locais e nacionais melhorarem a resposta, disse o investigador Ricardo Cavadas.

“Aquilo que nós queremos é gerar recomendações para o Governo, autarquias, para as instituições nacionais, proteção civil, empresas de infraestruturas, de energia e telecomunicações, para desenhar campanhas de comunicação e modelos de liderança que reforcem toda a confiança institucional nessas instituições”, afirmou Ricardo Cavadas.

Denominado “Sistemas de resposta a crises, impacto da tempestade Kristin”, o estudo do Politécnico de Leiria, através do Centro de Investigação Aplicada em Economia e Gestão (CARME, na sigla em inglês), sediado na Escola Superior de Tecnologia e Gestão, está a ser desenvolvido por Ricardo Cavadas, investigador principal, e Alzira Marques, coordenadora científica.

O estudo surgiu da constatação do estado de destruição do concelho de Leiria e de concelhos vizinhos, originada pela depressão Kristin, em 28 de janeiro.

“Começámos a ouvir muitas notícias, muita contagem de telhados partidos, de empresas destruídas, mas julgámos que faltava dar um bocadinho de voz ao cidadão e perceber, realmente, o que é que se estava a passar com o cidadão”, declarou Ricardo Cavadas, investigador na área do marketing social.

Segundo o docente do Politécnico, a investigação quis “dar voz à população”, numa “abordagem de baixo para cima, para avaliar quem é que viveu o problema e depois toda a estrutura intermédia entre vizinhos, familiares por aí fora”, assim como empresas, e “depois dar o suporte futuro para ações que os governos, as autarquias, a proteção civil, possam dar como resposta às pessoas, portanto, para o bem público, para o bem-estar social”.

O estudo começou há duas semanas e prevê-se que a recolha de testemunhos esteja terminada no fim deste mês. Para já, tem 500 respostas, a grande maioria do distrito de Leiria, mas o objetivo é duplicar, para abranger todos os concelhos que estiverem sob o estado de calamidade. Os interessados podem participar em tinyurl.com/temp-kristin.

O inquérito pretende saber o nível da gravidade dos danos que as pessoas tiveram e “se tinham ou não seguro e que coberturas”, assim como se foram afetadas pela interrupção de serviços essenciais (água, luz, telecomunicações, rodovias, educação, saúde, e equipamentos desportivos e sociais).

O trabalho quer também aferir “o impacto da solidariedade das pessoas, o capital social, a liderança percebida das pessoas, das autarquias e do Governo”, declarou Ricardo Cavadas, referindo ainda que o estudo pretende também “analisar qual a qualidade de vida das pessoas após a intempérie e a sustentabilidade que resultou” dos pilares social, económico, ambiental e institucional.

Os resultados vão ser remetidos “para a parte científica, quer depois para as autoridades, quer locais, quer nacionais, como modo de alterar comportamentos de comunicação aos cidadãos”, adiantou o investigador.

Para já, alguns resultados preliminares indicam que “as pessoas se sentiram muito abandonadas durante a crise” do mau tempo, antecipou Ricardo Cavadas.

Pelo menos 19 pessoas morreram em Portugal, seis das quais no concelho de Leiria, desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que fizeram também várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes foram registadas em trabalhos de recuperação.

Os temporais, que atingiram o território continental durante cerca de três semanas, provocaram a destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias, com prejuízos de milhares de milhões de euros.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

Lusa
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