Um projeto inovador, de que o Politécnico de Beja é parceiro, que combina inteligência artificial (IA), robótica móvel autónoma e uma rede de sensores, está a ser desenvolvido no Baixo Alentejo, para garantir o equilíbrio entre produtividade agrícola e conservação da biodiversidade.
Intitulada SiARA – Sustentabilidade, iA e Robótica na Estepe Alentejana, a iniciativa está a ser dinamizada em Castro Verde, concelho do distrito de Beja classificado como Reserva da Biosfera da UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.
O projeto, que une “competências científicas e tecnológicas à experiência dos agentes locais”, resulta de uma parceria entre a Associação de Agricultores do Campo Branco (AACB), com sede em Castro Verde, o Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) e o Instituto de Engenharia Mecânica do Instituto Superior Técnico (IST), de Lisboa.
Manuel Patanita, professor na Escola Superior Agrária do IPBeja, disse à Lusa que o SiARA é mais um contributo “para aquilo que são as novas tecnologias ao serviço da produção agrícola”.
“O que pretendemos é tentar arranjar forma de fazer uma monitorização das culturas e do solo, de forma atempada, para que se possa fazer a aplicação dos fatores de produção em tempo oportuno e na justa medida das suas necessidades”, precisou.
“O SiARA tem como objetivo principal apoiar a gestão sustentável da estepe alentejana, conciliando duas dimensões que são fundamentais neste território: por um lado, a produtividade agrícola e, por outro, a conservação da biodiversidade”, explicou à agência Lusa Alice Teixeira, investigadora no IST e gestora do projeto.
Já o presidente da AACB, António Aires, afirmou que a associação surge no projeto por “estar sempre disposta a colaborar com a academia e com a ciência, no sentido de surgirem novas tecnologias que possam facilitar a vida aos agricultores”.
“A utilização de robots ou drones pode ajudar os agricultores a serem mais sustentáveis e eficientes”, frisou.
Distinguido na 7.ª edição do programa Promove, organizado e financiado pela Fundação La Caixa e pelo BPI, em parceria com a Fundação para a Ciência e Tecnologia, na tipologia “Projetos I&D Mobilizadores”, o projeto arrancou formalmente em novembro de 2025.
De acordo com a investigadora Alice Teixeira, “o projeto junta inteligência artificial, robótica móvel autónoma e uma rede de sensores, de forma a recolher dados de proximidade e em contínuo sobre as culturas, o solo, as pastagens, o clima e alguns indicadores ecológicos”.