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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXV

Opinião Português e Espanhol na ciência

A ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Elvira Fortunato, considera que “temos de capitalizar mais os 850 milhões de falantes de espanhol e português”. Uma ideia que vem ao encontro dos resultados do estudo “O português e o espanhol na ciência: notas para um conhecimento diverso e acessível”, realizado por Ángel Badillo,do Real Instituto Elcano.
Partindo da questão “qual é o futuro do espanhol e do português como línguas da ciência?”, o relatório começa por recordar que “embora mais de 850 milhões de pessoas em quatro continentes falem português ou espanhol - 11% da população mundial - apenas 1% da produção científica indexada globalmente é publicada nestas duas línguas. Além disso, 97% dos cientistas portugueses, 88% dos cientistas mexicanos e brasileiros, 87% dos cientistas espanhóis e 80% dos cientistas colombianos, argentinos ou peruanos publicam em inglês”.
José Juan Ruiz, presidente do Real Instituto Elcano, sublinha, a este propósito que “esta externalidade da rede do inglês derivada do estatuto do inglês como língua franca do conhecimento que favorece os avanços do conhecimento baseado no método científico”.
O termo “capitalizar” utilizado, e bem, por Elvira Fortunato não deve significar o erguer de fronteiras para proteger as línguas portuguesas e castelhana, mas sim para que se possam adotar políticas que, como sublinha José Juan Ruiz, possam “remover obstáculos que impedem todos os membros da sociedade de aceder ao conhecimento”. O presidente do Real Instituto Elcano, fala em implementar “um sistema aberto de acesso ao conhecimento apoiado por políticas de promoção da diversidade linguística”.
No Ensino Magazine sempre partilhámos a ideia de que a educação e a ciência não têm fronteiras. Olhamos, por isso, para este estudo como um passo importante nesse objetivo. A linha editorial que assumimos, com a publicação de artigos em várias línguas, apresenta aos nossos leitores essa dimensão de diversidade e de acesso ao conhecimento, sem barreiras.
Esta é a questão central, permitindo que o conhecimento produzido em cada país possa estar disponível nas suas línguas, numa clara promoção duma “ciência aberta, cultural e linguisticamente diversa e acessível”, como é recomendado neste estudo. É esta a capitalização necessária para que o conhecimento produzido possa chegar a todos.
Neste processo, aberto e sem fundamentalismos, a comunidade científica internacional deve olhar para esta questão como essencial para quebrar barreiras linguísticas e fazer progredir o conhecimento.
Um dos desafios que o estudo propõe passa pela criação de uma rede de Cátedras “com o objetivo de valorizar o multilinguismo e promover a diversidade cultural e linguística na ciência, em colaboração com os estados e instituições de ensino superior mais interessados em promover este tema central na futura agenda da ciência aberta na Ibero-América”. E é aqui que as instituições de ensino superior do espaço lusófono e ibero-americano têm um papel importante. Da nossa parte continuaremos a pugnar por uma educação e por uma ciência sem fronteiras. É deste modo que o mundo avança. Seremos, por isso, uma parte ativa em todo este processo.

João Carrega
carrega@rvj.pt