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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXIII

Opinião Dos rankings ao digital

Os rankings das escolas voltam a estar na ordem do dia, sobressaindo para a opinião pública que esta escola é melhor que aquela, ou que o privado é melhor que o público, e mais uma série de precepções que a sociedade absorve como verdades absolutas. Já o afirmei e volto a referir, que os rankings tal como são divulgados junto da comunidade podem ter um efeito nefasto e perigoso, na medida em que rotulam escolas, e por conseguinte alunos, professores e funcionários, sem que se tenham em conta todos os dados da balança.
O tempo que atravessamos, de pandemia, é excepcional. Classificar as escolas vem apenas criar entropias, num momento em que o ensino teve um dos seus maiores desafios, sem que estivesse preparado para dar resposta. Mas deu. Dentro do possível. Fez-se, no último ano e meio, algo que seria impensável. As novas tecnologias entraram, finalmente nas salas e, durante algum tempo, as salas foram digitais. Mesmo que docentes e alunos não estivessem preparados para o fazer.
Houve todo um caminho percorrido que teve aspetos positivos, os quais devem ser aproveitados. Como? Com formação docente, requalificando os professores (classe cada vez mais envelhecida, pois não tem havido rejuvenescimento nas escolas) na área das novas tecnologias, introduzindo novas competências digitais, ou criando condições para a inovação educativa e pedagógica através de competências digitais e da sua integração nas áreas curriculares. Mas também através da disponibilização de meios, informáticos e não só, de rede de internet que responda a todos esses desafios, ou da criação de recursos e conteúdos educativos digitais. Acresce que ninguém deve ficar para trás, dos menos desfavorecidos aos que (aparentemente) não têm tantas dificulades. Dos alunos aos professores.
O Plano de Recuperação e Resiliência, apresentado por Portugal na Comissão Europeia, propõe muitas destas medidas na componente “Escola Digital”. O investimento previsto é de 599 milhões de euros, e até 2025, um dos objetivos é que haja uma digitalização dos exames. Isto é, as provas de papel darão lugar às novas tecnologias. É um desafio complexo, que de certa forma vem ao encontro das novas gerações que tratam o digital por tu (em determinadas funções) mas que na sua utilização em contexto educativo ainda têm muita dificuldade. Tal como os seus pais ou encarregados de educação têm muita dificuldade em lidar com esses novos meios no apoio aos seus educandos. Daí a necessidade de reforçar as competências digitais da população.
Certamente que, com ou sem digitalização, os rankings das escolas vão continuar a fazer manchetes e a abrir “telejonais”. Através de algoritmos, também eles serão digitais. Mas enquanto não forem analisados todos os indicadores e contextos, tudo aquilo que influencia uma escola, os seus alunos e professores, passarão sempre para a opinião pública uma ideia errada do trabalho desenvolvido pelas escolas.

João Carrega
carrega@rvj.pt