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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXIII

Opinião A rede de ensino superior, a coesão e a solidariedade

A pandemia de Covid-19 que em março mudou as nossas vidas colocou os olhos do mundo na ciência, na investigação e nas instituições de ensino superior. Toda a comunidade procurou as respostas que os cientistas e investigadores poderiam trazer, como o aparecimento de vacinas seguras e de possíveis curas. Um processo exigente, de ciência pura que, esperamos todos, venha a dar resultados positivos com a vacinação prevista para começar no início do ano.
Nunca, como agora, os cidadãos olharam para a ciência como algo determinante para as suas vidas. A pandemia trouxe a ciência para o nosso quotidiano. E esse foco é importante, pois passou a valorizar-se aquilo que muitas vezes é visto, pela sociedade civil, como algo secundário, que não interessa. Como algo que está dentro de quatro paredes de instituições ligadas à investigação e ao ensino superior. A ciência, que tantas vezes é esquecida nos orçamentos dos diferentes estados, que obriga os investigadores a esforços redobrados e a desenvolverem o seu trabalho em condições que nem sempre são as mais adequadas, mostrou a todos qual é o seu lugar na sociedade, no mundo.
Por outro lado, as instituições de ensino superior responsáveis pela formação e qualificação superior das populações, que fomentam também elas projetos e redes de investigação nacionais e internacionais, souberam estar à altura daquilo que são os constrangimentos provocados pela Covid-19.
A rede de ensino superior existente em Portugal, cuja história já apresentou protagonistas que afirmaram ter no país universidades ou politécnicos em excesso (?), foi quem, na primeira fila, respondeu de forma clara e objetiva ao que a sociedade civil precisou.
Uma resposta feita a vários níveis e que nem por isso fez com que, da parte do Estado, houvesse mais dinheiro para os custos extra suportados, sobretudo agora com as aulas presenciais que obrigaram a mais investimentos por parte das instituições de ensino.
Mas logo em março, universidades e politécnicos apresentaram-se musculados. Criaram redes de produção de equipamentos de proteção - como viseiras-, desenvolveram protótipos de ventiladores, produziram álcool gel, cederam instalações para acolher doentes, ou utilizaram os seus laboratórios para a realização de testes à Covid-19. Para os seus alunos garantiram (e garantem) apoio social. À sociedade civil disponibilizaram projetos solidários.
É esta rede de ensino superior que permite que o nosso país consiga dar uma resposta mais efetiva a um problema novo, sobre o qual não existem, do passado, quaisquer estudos. É esta rede, distribuída de norte a sul, do litoral para o interior, que além de contribuir para a coesão territorial (nas diferentes vertentes que isso significa - demográfica, económica, educativa, saúde etc), garante o acesso a formação superior a quem pretenda prosseguir estudos. Como se tudo isto não bastasse, é esta rede capilar que tem sido uma das mãos “armadas” de Portugal para o melhor combate aos efeitos da pandemia.
Num período em que somos confrontados, diariamente, com notícias negativas e depreciativas sobre o nosso quotidiano, importa mostrar ao país aquilo que esta rede de ensino superior está a fazer por todos nós, e o contributo que a ciência e os investigadores estão a prestar ao mundo. Se todos percebermos do que estamos a falar, certamente que encaramos o futuro com mais otimismo e confiança. Votos de um bom 2021!

João Carrega
carrega@rvj.pt