A ministra da Educação moçambicana destacou no passado dia 5 de maio o estatuto “muito especial” da Língua Portuguesa ao contribuir para unidade nacional entre as 24 línguas locais, quando se assinala o dia mundial do idioma.
“A língua portuguesa tem um estatuto muito especial a nível do nosso país. É a língua de unidade nacional no contexto em que nós temos uma diversidade de línguas maternas”, disse a ministra da Educação e Cultura, Samaria Tovela, durante as celebrações hoje do Dia Mundial da Língua Portuguesa, em Maputo.
Samaria Tovela recordou que, em Moçambique, são faladas 24 línguas maternas, estando a língua portuguesa a servir de ponto de convergência face à diversidade cultural e multilingue.
“Infelizmente, as novas gerações, os nossos filhos, não sabem falar as línguas locais. Eu também aprendi. Porque (…), de certa forma, depois da Independência, nós tínhamos a língua portuguesa, era língua de instrução e não só nas nossas famílias. Evidentemente os nossos pais faziam de tudo para que todos nós falássemos português. Era uma questão de unidade nacional”, concluiu Samaria Tovela.
A governante avançou a intenção de introdução da língua portuguesa, incluindo as disciplinas de Geografia e História, nas escolas do currículo estrangeiro, para que os alunos conheçam melhor o país.
“Vamos introduzir e vamos articular mais com as instituições para que todos os meninos, todos os adolescentes, todos os jovens, possam saber mais sobre este que é o nosso Moçambique”, referiu, considerando “importante” que se ensine os jovens e os mais novos, “para terem esse berço que é o Moçambique, um país multicultural”.
Na ocasião, o embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, destacou o crescimento da língua no mundo, estimando que 500 milhões de cidadãos possam falar a língua portuguesa neste século.
“Estes dados deixam claro que o português é hoje, efetivamente, uma língua global, transportando consigo um património de valores, de culturas, de afetos e de enorme riqueza e diversidade. Mas é também uma língua de futuro, do desenvolvimento e da criação de oportunidades, falada em países e economias com elevado potencial de crescimento”, referiu.
O embaixador frisou ser ainda um instrumento facilitador de investimento, de comércio, de parcerias estratégicas e de acesso a mercados em expansão, de difusão cultural da literatura à música, ao cinema, à produção académica.
Desde segunda-feira e até 10 de junho, Moçambique recebe eventos culturais, académicos, desportivos e empresariais promovidos por Portugal para reforçar os laços bilaterais e os intercâmbios. A iniciativa “Mês de Portugal em Moçambique”, que se realiza pela primeira vez, tem por objetivo repetir-se anualmente.
Hoje, aproveitando o Dia Mundial da Língua Portuguesa, fora agendadas atividades em instituições de ensino superior moçambicanas, como a Universidade Eduardo Mondlane e a Universidade Pedagógica de Maputo, bem como na Escola Portuguesa de Moçambique, e um concerto de fado com participação de artistas portugueses e moçambicanos, incluindo colaborações musicais que juntam diferentes gerações e estilos.
O objetivo, disse Jorge Monteiro, é também valorizar uma “língua que une” mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo, e que é “ativa para a afirmação internacional” dos dois países e povos, bem como instrumento de projeção global.
A programação estende-se por cerca de mês e meio, com eventos semanais de natureza cultural, desportivas, académica e empresarial, envolvendo universidades, centros culturais e parceiros institucionais, além de Maputo também noutras regiões do país.