A ministra da Educação timorense, Dulce Soares, afirmou no passado dia 5 de maio que ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória e que a língua portuguesa não foi imposta, mas escolhida.
"Ensinar e aprender português em Timor-Leste é um ato de memória, pois esta língua acompanhou a nossa resistência e afirmação enquanto o povo, mas é também um ato de responsabilidade, porque aquilo que ensinamos hoje moldará o país que seremos amanhã", disse Dulce Soares.
A ministra da Educação falava no Centro de Aprendizagem e Formação Escolar de Díli (escola CAFE), onde, com o secretário de Estado da Cultura de Portugal, Alberto Santos, celebrou o Dia Mundial da Língua Portuguesa, que foi também assinalado na maioria das escolas públicas timorenses.
Na intervenção, Dulce Soares disse também que o Ministério da Educação timorense tem desenvolvido um conjunto de iniciativas para promover o ensino e o uso da língua portuguesa, incluindo a distribuição de materiais pedagógicos.
A ministra agradeceu também aos professores timorenses e portugueses pelo "trabalho dedicado, muitas vezes desenvolvido em contextos exigentes".
Os Centro de Aprendizagem e Formação Escolar ou as escolas CAFE é um projeto conjunto de Portugal e Timor-Leste, teve início em 2014, e já está presente em todos os municípios timorenses.
Aquelas escolas, onde as aulas são dadas por professores portugueses e timorenses, são, atualmente, frequentadas por mais de 11.100 alunos timorenses.
O CAFE tem dois grandes pilares, nomeadamente o ensino de qualidade na sala de aula e a formação complementar dos professores timorenses.
Naquelas escolas, as aulas são dadas em português, mas os alunos têm também aulas de tétum, a outra língua oficial de Timor-Leste.
Em declarações aos jornalistas, à margem de uma visita que fez à Comissão da Função Pública, o Presidente timorense, José Ramos-Horta, afirmou que hoje cerca de 30% dos timorenses já falam português e que a tendência é para aumentar.
"A língua portuguesa está a avançar. Se olharmos para o passado, em 2000 quase ninguém falava português, não chegava a 1%. Agora há muitos jovens, milhares e milhares, que já falam e continuará a evoluir gradualmente", afirmou Ramos-Horta.