A maioria das escolas teve de recorrer a profissionais sem mestrado em ensino para garantir aulas aos alunos no primeiro período, revela um inquérito realizado pelo movimento Missão Escola Pública e divulgado no dia 16 da janeiro.
O inquérito abrangeu diretores de 222 escolas e agrupamentos (27% do total nacional) de “diferentes dimensões e contextos organizacionais”, desde estabelecimentos com menos de 500 alunos até outros com mais de 2000, assim como com menos de 50 professores e outros com mais de 200, para perceber como decorreu o primeiro período de aulas.
De norte a sul do país, os diretores voltaram a lidar com a falta de docentes e com a dificuldade em conseguir encontrar quem quisesse ocupar vagas.
Segundo o inquérito, em 171 escolas ou agrupamentos (75% do universo analisado) a solução foi atribuir horários vazios a profissionais sem formação em ensino.
A maioria dos diretores disse ter tido até dez horários atribuídos a professores com habilitação própria, 9% atribuiu entre 11 e 20 horários, e houve mesmo dois diretores que revelaram ter tido mais de 50 horários entregues a profissionais sem formação pedagógica ou habilitação profissional.
Para o movimento de professores, esta opção “ultrapassa a escala de solução de emergência” e “representa um risco sério para a qualidade de ensino”, uma vez que a falta de docentes está a ser colmatada “através da substituição de profissionais qualificados por pessoal sem preparação para a função”.
A Missão Escola Pública alerta na divulgação das conclusões do inquérito que o problema da falta de professores deixou de estar centrado no sul do país e passou a ser uma realidade nacional.