Parece que foi ainda ontem, mas já vai para 28 anos que fundei e dirigi o jornal Ensino Magazine, projeto apresentado, em minha casa, ao João Carrega e ao Vítor Tomé (então sócios proprietários da RVJ) que, desde logo, o abraçaram com entusiasmo e carinho.
A iniciativa avançou, apesar da generalizada desconfiança, nos meios jornalísticos, do seu eventual sucesso, devido a estar a propor um jornal de distribuição gratuita e que pretendia vir a ser difundido a nível nacional e internacional.
O projeto, como hoje se pode constatar, contrariou as previsões dos mais céticos e singrou enquanto órgão de informação cultural e educativa de prestígio, pelo que tem sido acolhido como tal nas instituições de ensino Básico, Secundário e Superior, nas últimas quase três décadas.
Quando, em 2005, assumi as funções de Vice-Presidente do Instituto Politécnico de Castelo Branco, entendi poder haver conflito de interesses entre esse cargo institucional que iria exercer e a Direção de um jornal que noticiava, difundia artigos de opinião e recebia publicidade de várias Instituições de Ensino, pelo que confiei, e bem, a Direção do Ensino Magazine a João Carrega, cuja função tem mantido até aos dias de hoje.
Durante estes 28 anos colaborei, mensalmente, e sem interrupções, com um artigo Editorial, enquanto Diretor Fundador e, sempre que necessário, estive presente, com o meu envolvimento e dedicado empenhamento, nas diferentes atividades que poderiam impulsionar o desenvolvimento deste projeto jornalístico.
Fomos longe, e a minha ligação ao Ensino Magazine marcará, para sempre, a minha já longa carreira académica.
Com o evoluir dos tempos e das vontades, tenho sentido, ultimamente, que existem desvios entre o projeto editorial que concebi e algumas decisões e iniciativas tomadas, que respeito, mas que me colocam alguns dilemas morais.
Por isso, entendo que os mais de trezentos editoriais que aqui publiquei, também já são merecedores de um tempo de recolhimento e reflexão.
Continuarei a colaborar no Ensino Magazine, esporadicamente, com artigos de opinião, enquanto Diretor Fundador (que nunca poderei deixar de o ser…) dado que sempre escrevi, como que possuído por um indeclinável impulso interior, pelo que o conjunto desses “escritos”, constituem também um abrangente património da minha bibliografia jornalística e científica.
Posto isto, este meu adeus é também um até breve, porque neste local, de encontros e desencontros, estarei sempre convosco, os leitores, a quem permanentemente me dirijo, colocando-me de um convicto lado da fronteira: o lado onde se radica a defesa de um pensamento livre e crítico e de uma sociedade mais justa, democrática e plural.