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Cultura António Lobo Antunes: O adeus a um dos maiores escritores portugueses contemporâneos

05-03-2026

O escritor António Lobo Antunes, um dos maiores nomes da literatura portuguesa desde a segunda metade do século XX, morreu dia 5 de março, aos 83 anos, confirmou fonte editorial.

António Lobo Antunes nasceu em Lisboa, a 1 de setembro de 1942, licenciou-se em Medicina, pela Universidade de Lisboa em 1969, tendo-se especializado em Psiquiatria, que mais tarde exerceu no Hospital Miguel Bombarda. Optou pela escrita a tempo inteiro em 1985, para combater a depressão que dizia ser comum a todas as pessoas.

Ao Ensino Magazine, referia, em 2011, que o escritor “também sofre com os seus personagens. É uma mistura de sentimentos. Mas não há um sentimento sem o seu contrário. Não há sofrimento sem alegria; não há violência sem suavidade; não há secura sem ternura. Os sentimentos são muito complexos, contraditórios e simultâneos", disse, numa entrevista conduzida por Eugénia Sousa. (LEIA AQUI A ENTREVISTA)

Nessa conversa, António Lobo Antunes referia-se aos valores que um bom livro, tal como os homens, deve ter. "Valores e não só. "Tem de haver um sentido ético da escrita, senão não se sente". Por isso, enquanto autor, referia estar "sempre a negociar os livros com a morte. Só me sinto bem a escrever e sofro de sentimento de culpa se não o faço".

"Nunca soube verdadeiramente fazer outra coisa que não escrever", declarou o escritor à agência Lusa, em 2004, quando já tinha recebido o Prémio União Latina (2003) pelo conjunto da obra, e a lista de distinções já ia do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) ao Melhor Livro Estrangeiro publicado em França ("Manual dos Inquisidores") e ao reconhecimento pela Feira do Livro de Frankfurt (1997), na Alemanha.

O seu primeiro livro, "Memória de Elefante", surgiu em 1979, logo seguido de "Os Cus de Judas", no mesmo ano, sucedendo-se "Conhecimento do Inferno", em 1980, e "Explicação dos Pássaros", em 1981, obras marcadas pela experiência da guerra e pelo exercício da Psiquiatria, que depressa o tornaram um dos autores mais lidos em Portugal.

A República Portuguesa condecorou-o com o Grande Colar da Ordem de Sant"Iago da Espada, em 2004 e, em 2019, com a Ordem da Liberdade. França deu-lhe o grau de "Commandeur" da Ordem das Artes e das Letras, em 2008.

EM com Lusa
Pedro Loureiro | Direitos Reservados
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