Balada do Corsário dos Setes Mares (D. Quixote), de Manuel Alegre (n. 1936, Águeda), a mais recente recolha de poemas do autor de “Praça da Canção”, versos de uma mestria que só alcança quem se entrega ao intenso sopro da beleza. “ A beleza eterna dura um só instante”.
Diários de Viagem (Assírio & Alvim), de Matsuo Bashô (1644-1694), versões e introdução de Jorge Sousa Braga, com “alguns poemas em prosa”, reúne os registos de viagens do eminente poeta japonês, deambulações empreendidas pelo eteno viajante, observações salpicadas de poemas, numa edição que faz jus ao mestre e expoente máximo do “haiku”.
Dáfnis e Cloé (Assírio & Alvim), de Longo, com tradução do grego, posfácio e notas de Duarte Venâncio dos Anjos, e gravuras de Aristide Maillol, história erótica bucólico-pastoril, de autor talvez natural de Lesbos, escrita algures entre os século II e III d.C., e que exerceu prolongado fascínio em diversas artes, onde se narram as aventuras de um casal amoroso de pastores.
A Mitologia Grega de A a Z (Guerra & Paz), de Luc Ferry, é um manual prático sobre o legado da mitologia grega antiga, “ com léxico, curiosidades e excertos dos textos fundamentais, que nos oferece s chaves da interpretação filosófica dos grandes mitos da Humanidade”, e daqueles que desde o Olimpo, contemplam os mortais, nas suas canseiras e desacertos.
O Olhar Imóvel (Quetzal), de Mario Vargas Llosa (1936-2025), estudo sobre a obra de Benito Pérez Galdós (1843-1920), escritor fundamental da literatura do país vizinho, dos séculos XIX e XX, autor da mesma estirpe de Balzac, Dickens e Zola, capaz de transformar “ a experiência vivida em material literário”, iluminando com “personagens notáveis, um século decisivo da história espanhola”.
Um Quarto Só Para Si (Bertrand), de Virginia Woolf (1882-1941), com nova tradução de José Pedro Vala, é “um dos mais emblemáticos textos” da autora de “Orlando” e tantos outros máximos expoentes do modernismo inglês, aqui falando sobre a condição social das mulheres e a criação literária.
Lídia Jorge (Contraponto), de João Céu e Silva, com o subtítulo “Uma longa viagem” é “a narrativa do percurso literário” em forma de diálogo, de uma escritora que se estreou com “O Dia dos Prodígios”, e de quem Saramago sentenciou: “Só nós dois é estamos a renovar a literatura portuguesa”.
A Aparência ds Coisas (Antígona), de John Berger (1926-2017), influente crítico de arte, pintor e escritor, autor do celebrado “Modos de Ver”, reúne neste livro muito do seu melhor ensaísmo, com retratos de conhecidas personagens, textos sobre política, história da arte, sempre com um olhar crítico apontado às desigualdades subjacentes à condição humana nas sociedades contemporâneas.
Máfia (Casa das Letras), de Ryan Gingeras, com o subtítulo “Uma história global”, na qual o historiador rastreia as origens longínquas do fenómeno criminal, que centrou as suas actividades no jogo, sexo e drogas, de Itália às Américas, do norte e do sul, e um pouco por todo o mundo em que o “crime organizado” se instalou.
O Médico e o Monstro (Bertrand), de Eric Frattini, com o subtítulo “Hitler, o abuso de substâncias e o destino de milhões de pessoas”, com prólogo de José Cabrera Forneiro, revela, através de documentação inédita, o papel do médico de Hitler, num impressionante retrato do cabo austríaco psicótico, que alucinou um continente..
Olga Salva o Mundo (Porto Editora), de Rui Zink, brilhante e inventiva sátira sobre o mundo hodierno, onde a chamada “inteligência artificial”, ao serviço de bilionários enlouquecidos, pretende substituir tudo que é humano, num enredo de feição policiária, no qual a inocência e a candura acabam por triunfar.
Animais Difíceis (Porto Editora), de Rosa Montero (n. 1951, Madrid), é o coroar da saga de Bruna Husky, clone tecno-humana, agora em novo corpo, que se vê envolvida num caso de vida ou de morte, envolvendo uma delirante conspiração futurista robótica que pretende criar uma superinteligência artificial para substituir os humanos, sendo que ela se sente cada vez mais humana, amada e capaz de compreender o que é ver a vida.
Uma Breve História do Universo (Casa das Letras), de Sarah Alam Malik, física paquistanesa, com o subtítulo “e do nosso lugar no cosmos”, em que a ciência é o estudo da “extensão da nossa ignorância”, analisa as descobertas desde os sábios da Mesopotâmia até às grandes incógnitas, que se anunciam com as mais recentes teorias e observações, numa fascinante viagem pelo vasto cosmos que habitamos.
Vizinhos Distantes (Temas e Debates), de Soren Orbansky e Martin Wagner, com o subtítulo “Uma breve história das relações entre Chine e Rússia”, conta-nos quatro séculos de História, que muito podem esclarecer sobre o presente e próximo futuro.
Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico