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Atualidade 40 anos depois: Eurodeputados dizem que a entrada na União Europeia foi decisiva para o país

02-01-2026

Quarenta anos depois da entrada de Portugal na CEE, os eurodeputados portugueses lembram o acontecimento como decisivo e relevante para o desenvolvimento e a consolidação democrática do país, mas alguns também manifestam que a adesão vincou assimetrias.

Em Estrasburgo (França), a eurodeputada socialista Marta Temido afirmou que se lembra bem do processo de adesão à Comunidade Económica Europeia (CEE), posteriormente União Europeia (UE), durante a década de 1980 e que essa memória surge ligada à famosa música dos GNR, "Quero ver Portugal na CEE", uma canção que "se trauteava e que se achava que dificilmente iria acontecer".

"Essa é a primeira ideia que eu tenho quando penso Portugal na União Europeia, foi o que andámos para aqui chegar", sublinhou a socialista, salientando que Portugal, há data, se tratava de "um país que tinha poucos anos de democracia" e apresentava "uma série de atrasos crónicos de desenvolvimento".

Entre os 21 deputados que representam atualmente Portugal no Parlamento Europeu, em Estrasburgo (eleitos em 2024), está também o social-democrata Paulo Cunha, que foi perentório quando questionado pela Lusa sobre a importância da adesão há quatro décadas: “Foi um passo absolutamente decisivo, relevante e consequente".

"A decisão de integração europeia foi uma decisão que trouxe retorno em termos de qualidade de vida e de prosperidade para as pessoas e para as instituições portuguesas", sustentou Paulo Cunha.

Para António Tânger Corrêa, eurodeputado do Chega, a adesão trouxe "coisas boas e más", e embora tenha resultado no desenvolvimento do país, defendeu que Portugal terá de "navegar com mais sabedoria as águas da União Europeia" e ter verdadeiramente uma "visão estratégica".

"A Europa, para nós, é assim uma entidade que de vez em quando dá uns trocos e faz uns projetos. Isto é o que o povo pensa, só que não pode ser isso, porque se for assim não temos futuro", argumentou.

Já para o eurodeputado do PCP João Oliveira, o balanço das quatro décadas de Portugal entre os atuais 27 do bloco “não é muito positivo", sobretudo quando se compara o percurso de Portugal com outros Estados-membros, em que fica vincada a "agudização das assimetrias e desigualdades".

"Estes últimos 40 anos, ao contrário daquilo que nos prometeram em 1986, não significaram a abertura de novos mercados à produção nacional, significaram sim a substituição da nossa produção nacional por importações dentro do espaço da União Europeia, significaram atrasos muito significativos do ponto de vista relativo na comparação com outros países", criticou o eurodeputado comunista.

Perspetiva diferente tem a eurodeputada da Iniciativa Liberal Ana Vasconcelos, que referiu à Lusa que "Portugal deve muito à União Europeia" pelos progressos económico, social e na educação, mas também por ter sido "muito importante para a consolidação política enquanto democracia liberal".

"É um caminho que foi feito muito graças aos critérios necessários para se estar na União Europeia, esse caminho começou a ser feito muito antes de Portugal se juntar", adiantou, acrescentando que foi a UE que incentivou o desenvolvimento da democracia, algo "especialmente importante para um país que atravessou uma ditadura tão longa".

Portugal assinou o tratado de adesão à CEE em 12 de junho de 1985, durante o Governo do antigo primeiro-ministro socialista Mário Soares, que entraria em vigor em 01 de janeiro do ano seguinte, já com o PSD de Cavaco Silva no poder.

A candidatura tinha sido formalmente apresentada em 28 de março de 1977 e as negociações decorreram ao longo de oito anos.

Em 2021, Portugal assumiu pela quarta vez a presidência do Conselho da UE. A primeira foi em 1992, seis anos depois da adesão à CEE. A segunda presidência portuguesa foi em 2000 e a terceira em 2007, resultando desta última a assinatura do Tratado de Lisboa.

Atualmente, Maria Luís Albuquerque é a comissária portuguesa na Comissão Europeia (executivo do bloco comunitário) assumindo a pasta dos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos.

Lusa
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