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Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXVIII

1ª Coluna Depois da Kristin: É hora de agir sem burocracia e com a rede de ensino superior

30-01-2026

São dramáticas as horas que as pessoas e as instituições de ensino da região centro do país estão a sentir na sequência da tempestade Kristin que veio com aviso prévio e que demonstrou que nunca estamos preparados para enfrentar a mãe natureza. Nesta hora importa agir no terreno para repor os bens de primeira necessidade às populações, como água, eletricidade e comunicações.

Estamos solidários com as pessoas e com as instituições. Solidários do ponto de vista moral, mas também disponíveis para apoiar essas regiões e as instituições naquilo que é a exigência do país e de todos, enquanto comunidade, de contribuirmos para recuperar o que foi destruído. Nos últimos anos temos vivido catástrofes que parecem ser retiradas de um filme de terror. Dizia um senhor, na praia da Vieira, em Leiria, que não conhecia o Diabo, mas que pelos danos ele passara por lá.

Ninguém, nem nenhuma instituição, pode ficar para trás. Repostos os bens essenciais, há que avançar na requalificação e reconstrução de forma rápida e célere. Há que desbloquear apoios, sem burocracias, para que o país avance. Não basta falar e dizer que se faz. Há que concretizar. E nessa fase, de requalificação, é importante ouvir as academias para que as ações das autarquias, da proteção civil e do reordenamento do território possam ser feitas corretamente.

As instituições de ensino superior, essa rede fundamental ao país - que há quem coloque em causa -, pode, e deve, ser chamada para contribuir com o seu conhecimento. Falo não apenas da reconstrução e dos materiais a utilizar, mas também do conhecimento do território, das linhas de água, da projeção de estruturas que resistam a novas intempéries, do encontrar de soluções que minimizem a destruição em futuras ocorrências. Ou, e não menos importante, no apoio psicológico e de saúde pública às pessoas afetadas.

Para que isso aconteça, o Estado deve disponibilizar os meios para a ciência fazer acontecer. Volto a sublinhar: não basta dizer, é preciso executar. O exemplo dos fogos florestais é um mau exemplo. A floresta portuguesa continua a ser consumida pelas chamas, verão atrás de verão. Os investigadores e as academias já disseram como a questão pode ser resolvida. Mas tudo fica na mesma, à espera que, após o leite derramado, venham à televisão especialistas e não especialistas a repetir o que já se sabe.

A tempestade Kristin passou à noite. Não quero pensar se tivesse percorrido o nosso país, em especial a zona centro, do litoral ao interior, durante o dia. Estaríamos a falar de destruição material e da partida de centenas, ou milhares, de vida humanas. Não há tempo para conversa. O momento é de ação e de não se fazer política com uma catástrofe desta dimensão. Acredito que quem não a viveu, não tem a noção do medo e da destruição que lhe está associada.

O Ensino Magazine estará sempre aqui, como aliado de todas as pessoas, dos estudantes, famílias, professores, funcionários e da comunidade, como voz ativa para que se faça acontecer e se reconstruam as estruturas afetadas, mas também para exigir que os apoios nacionais e internacionais chegam a tempo e horas.

A todos, o meu abraço.

João Carrega
Diretor carrega@rvj.pt
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