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Maria Leitão, cantora 'Fazer música é um ato de experimentação'

23-03-2026

Apontada como uma das vozes mais promissoras da nova geração, Maria Leitão faz a sua estreia musical, sem nunca perder de vista o interesse pessoal que mantém pelas áreas da Ciência Política e das Relações Internacionais.

Qual é a sensação de, aos 23 anos, estar a fazer a estreia discográfica?

Para começar, é um grande alívio.  Explico: existiu a particularidade de já ter gravado o disco em 2024, mas de lá para cá, fui em busca de uma rede de suporte sem cair num vazio. Outra curiosidade: a canção que agora lanço –  «Naquela Noite» – foi escrita em 2022. Ou seja, por ser um processo que se prolongou por vários anos tornou este momento ainda mais especial. Partilhar as minhas criações com o público e libertá-las do meu Iphone para o Spotify, ao alcance de quem quiser, é uma sensação única.

O disco será lançado no segundo trimestre do ano. A toada do álbum será semelhante ao single de estreia, «Naquela Noite»?

O álbum terá, sem dúvida, uma linha de continuidade, até porque usamos quase sempre os mesmos instrumentos. Mas sobre as canções propriamente ditas, acho que até são bastante diferentes, teremos mais baladas, umas com influências pop/jazz e outras composições mais alegres, mas que, no fundo, estão unidas pela linha de produção e pelo facto de serem escritas por mim. Mas, para começar, o «Naquela Noite» creio que é mais consensual e permitirá chegar a um público mais abrangente. Estou ansiosa pela reação do público.

Marcelo Camelo é um músico brasileiro, já premiado, a quem coube produzir o disco todo. Começar a carreira com a colaboração de um nome consagrado foi a cereja no topo do bolo?

Foi, sem dúvida, um grande privilégio. Depois de escrever as canções é preciso encontrar a cabeça que vai pensá-las, com instrumentos, arranjos e tudo mais. Não foi fácil chegar ao Marcelo, mas ele aceitou o desafio, o que me honrou muito. Para além da qualidade musical, alia ainda uma parte pessoal que tornou tudo muito mais fácil.

A música «Naquela Noite» foi escrita em Siena (itália) quando estava a fazer «Erasmus». A Toscânia foi inspiradora?

Parte da música já tinha sido escrita em Portugal, só que ao chegar a Siena comecei a mudar o processo e passei a olhar mais à volta, em vez de estar só centrada em mim. Por exemplo, a minha estadia de vários meses em Itália permitiu que ficasse mais ligada à natureza. Conheci pessoas novas e acabei, de alguma forma, por sair da bolha da cidade onde vivo no meu país. Foi precisamente em Siena que acabei por escrever praticamente todo o álbum que em breve será lançado. Uma das canções chama-se mesmo «Primeiro mês» e descreve os meus primeiros tempos em Siena.

Como foi a experiência de «Erasmus», recomenda?

Muito. Estava a estudar Ciência Política e Relações Internacionais, que não tem nada a ver com a música. Mas adorei conhecer pessoas novas, de várias nacionalidades. Sair daqui faz sempre bem, «abre-nos» a cabeça.

O piano é o seu instrumento favorito e que faz a simbiose com as suas músicas. O piano vai ser indissociável da sua carreira?

Sim. Apesar disso, acredito que neste álbum, devido à diversidade de instrumentos, a simbiose entre mim e o piano não está tão vincada. E isso também se deve a alguma «tropicalidade» que foi adicionada pelo Marcelo. Mas nos espetáculos ao vivo que fizer podem ter a certeza de que vou estar sempre colada ao meu piano.

Quais são as suas referências, nacionais e internacionais?

Tenho muitas referências e influências. Para começar, Sérgio Godinho e também todos aqueles cantores de abril ou da revolução, como o Jorge Palma ou o José Maria Branco. Mas admito que o jazz, o soul, o R&B, também contribuíram muito para aquilo que eu faço, sem esquecer, naturalmente, a influência da música brasileira. Quando era miúda lembro-me que tinha um enorme fascínio pela Alicia Keys, também ela inseparável do seu piano. O meu pai era do rock progressivo e as referências de Pink Flyod e Marillion não podiam faltar. Atualmente, por cá, gosto muito da Bia Maria e do projeto Cordel. Lá fora, adoro profundamente a Olivia Dean.

A sua formação é dupla e sólida, em clássico pelo Conservatório de Música de Cascais e em jazz pelo Hot Clube de Portugal. De que forma é que esse “background” lhe confere um amplo domínio técnico e artístico?

Fiz até ao 5.º grau no Conservatório de Música de Cascais, ou seja, tenho uma base sólida de clássico, mas entretanto, durante três anos, tive aulas particulares com uma cantora chamada Paula Oliveira. Posteriormente, passei pelo Hot Clube de Portugal onde fiz os 4 anos em jazz, tendo terminado o curso oficial, na vertente “songwriting”. Não quero que com o que vou dizer, desvalorizar o mérito de ter formação musical em escolas da especialidade, mas acredito muito mais no poder do ato de ouvir música e ouvir o outro do que em teorias. Isto porque quando escrevo canções sou muito intuitiva e vou à base do ouvido. Um bom músico não se define, necessariamente, por ter ou não ter escola. A escola tem, contudo, uma coisa boa: faz-nos perceber o que estamos a fazer. No meu caso pessoal, até acho que a escola não teve um imenso impacto naquilo que faço. Não é por acaso que quando estudei a disciplina de que mais gostava era treino auditivo. Para mim, fazer música não é um processo racional, é um ato de experimentação e tentativa/erro.

Tem a ambição de viver exclusivamente da música?

Totalmente. Os dois contratos assinados recentemente deram uma renovada segurança a esse caminho. Entretanto, tirei outro curso e neste momento estou a fazer o mestrado em Relações internacionais, mas fi-lo por ser um interesse pessoal. Gosto de tudo o que tenha a ver com Humanidades e Política. Contudo, a grande paixão é e acredito que continuará a ser, por muitos anos, a música.

Aos 23 anos, o céu é o limite, ou deve haver equilíbrio entre os sentimentos de ambição e humildade?

Sim, devemos ter noção do que somos, e sermos modestos, mas eu sonho muito alto. Sonho, por exemplo, em cantar um dia com o Sérgio Godinho. Acredito sempre que tudo é possível.

 

A CARA DA NOTÍCIA

O contributo de um produtor premiado

 

Maria Leitão, 23 anos, tem formação musical em clássico pelo Conservatório de Música de Cascais e em jazz pelo Hot Clube de Portugal. Nos palcos, realizou o seu primeiro concerto com casa cheia no Musicbox, em Lisboa, e abriu o concerto de Gisela João no festival Jazz nas Vilas 2025, confirmando o seu lugar na vanguarda da nova música portuguesa. O seu percurso artístico conheceu um marco fundamental com a contratação pela Universal Music Portugal, onde se prepara para lançar o seu aguardado álbum de estreia no segundo trimestre de 2026, que teve a produção do brasileiro Marcelo Camelo, vencedor de um Grammy Latino e com outras seis nomeações para estes prémios da música latina. «Naquela Noite», editado em janeiro, é o seu single de apresentação.

Nuno Dias da Silva
Universal Music Portugal
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