A Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS) assinalou, dia 7 de outubro, o seu 47.º aniversário, naquela que foi o seu primeiro Dia enquanto universidade. Antes da sessão foi inaugurado um espaço de inovação pedagógica. Na cerimónia, o Ensino Magazine entregou duas bolsas de mérito a alunos da instituição.
No evento que marcou o arranque do início do ano letivo e de um novo ciclo institucional. Ângela Lemos, reitora da UNIPS, desafiou a comunidade académica a "fazer um reflexão coletiva, sobre que universidade queremos construir a partir daqui?". No seu entender, "a recente passagem de instituto a universidade politécnica reconhece "a maturidade académica e científica que alcançámos, mas mudar de nome é a parte mais fácil. O verdadeiro desafio começa depois".
Citada em informação enviada ao Ensino Magazine, a reitora reforçou a ideia da matriz da sua instituição. "Somos uma instituição politécnica e queremos ser universidade precisamente a partir dessa identidade, e não apesar dela", sublinhou, apontando traços distintivos como a proximidade com os territórios e as suas empresas e organizações e a forte componente prática e experimental do ensino ministrado.
"Sendo uma instituição de proximidade, a UNIPS não pode ignorar que o mundo, as profissões, as ferramentas de trabalho e estudo, mas também os estudantes aqui em formação, estão igualmente em rápida mudança. É por isso que a UNIPS está a refletir estrategicamente sobre a sua formativa. Queremos aproximar o ensino da investigação, da inovação e dos problemas reais da sociedade e é essa visão que inspira o novo espaço pedagógico da UNIPS".
Ângela Lemos falou ainda do novo espaço de inovação inaugurado - One Button Studio -, um novo recurso de apoio à produção autónoma de conteúdos audiovisuais, associado ao futuro Laboratório de Inovação Pedagógica, atualmente em desenvolvimento no âmbito do SAPIEN – Centro de Excelência para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior.
A questão do subfinanciamento da Universidade foi também focado pela reitora. "Os constrangimentos de financiamento limitam a capacidade" de as instituições de Ensino Superior cumprirem uma das suas grandes missões: atrair, descobrir, desenvolver e reter talentos nos territórios. Não podemos construir uma universidade para o futuro dependendo permanentemente de financiamento extraordinário para responder a necessidades estruturais".
A sessão solene começou com uma intervenção do presidente da Comissão Instaladora do Instituto Politécnico de Setúbal (1988-1991), Júlio Montalvão e Silva, que de forma precisa explicou os desafios e as dificuldades. "Foi um período relativamente duro. Tudo estava por fazer no campo de sobreiros da Estefanilha: Havia que criar duas escolas superiores verdadeiramente de raiz, de Tecnologia e de Educação, ambas uma novidade na região, e era preciso acompanhar obras, tomar decisões, às vezes contra a própria tutela, contratar os primeiros corpos docentes, e funcionários não docentes, programar o início das atividades".
Júlio Montalvão e Silva considerou que todo o trabalho ""foi compensador, no sentido de ver as coisas a aparecer e a crescer".
A oração de sapiência esteve a cargo de Luís Castro, vice-reitor da Universidade de Lisboa e membro do Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES), que refletiu sobre "O futuro da aprendizagem no Ensino Superior".
Citado também na mesma nota, Luís Castro perspetivou como deverá ser a aprendizagem no Ensino Superior na próxima década, defendendo que a inovação pedagógica "tem de estar, acima de tudo, ao serviço da promoção do sucesso académico" e que este deve ser assumido "como responsabilidade institucional e não como um problema individual, do estudante".
O membro do CNIPES, aproveitou ainda para clarificar que inovação pedagógica não significa abandonar tudo o que está para trás, substituindo os métodos clássicos pelas ferramentas digitais. Inovação pedagógica, explicou, é "mudarmos no sentido de melhorarmos a aprendizagem dos nossos estudantes, independentemente das ferramentas e das tecnologias que usamos".
Durante a sessão foram ainda distinguidos os melhores estudantes pela Ensino Magazine, Fundação Santander Portugal e AICEP Global Parques, bem como os trabalhadores com mais anos de "casa". Subiram ainda ao palco o diplomado Pedro Vitoriano, que recebeu o Prémio Carreira Alumni 2026, e os docentes Luís Coelho e Fernando Almeida (jubilado), a quem foram atribuídos, respetivamente, os títulos de Professor Benemeritus e Professor Emeritus.
O diploma de Instituição de Mérito Socioprofissional foi este ano atribuído à Ordem dos Contabilistas Certificados, e o diploma de Instituição Benemérita homenageou a Câmara Municipal de Sines.