O presidente do PSD e primeiro-ministro anunciou a criação de uma nova Universidade de Bragança e do Norte Interior e um novo regime de autonomia e governação das escolas, numa intervenção totalmente centrada na educação e na ciência.
“Eu já sei que muitos vão dizer, mal acabe de falar, que eu não falei do caso A, da situação B ou da oposição C. Até prevejo que muitos dirão que fugi de falar isto ou daquilo. Podem dizer o que quiserem, isso é democracia, mas eu também disse o que quis, e isso também é democracia”, afirmou Luís Montenegro.
O primeiro-ministro encerrou, no dia 30 de agosto, a 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, iniciativa de formação de jovens quadros, que decorre desde segunda-feira em Castelo de Vide (distrito de Portalegre), numa intervenção a que assistiu o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares.
O discurso, de mais de 40 minutos, foi totalmente centrado nas áreas da educação, da ciência e da inovação, sem qualquer referência à ameaça da moção de censura do Chega ao Governo, e com críticas à oposição apenas centradas no que os anteriores executivos do PS deixaram por fazer nestes setores.
“Nós vamos, nos próximos tempos, criar um novo regime de autonomia e governação das escolas, com uma eleição geral do diretor da escola, com a sua autonomia reforçada e com a prestação de contas”, anunciou Montenegro.
O primeiro-ministro disse que o Governo irá também “dinamizar o estatuto do diretor e valorizá-lo do ponto de vista das suas remunerações”, bem como “equiparar as condições remuneratórias dos reitores das universidades politécnicas com os restantes reitores”.
“E vamos criar uma nova universidade: a Universidade de Bragança e do Norte Interior, que vai ser o culminar do processo de transformação da Universidade Politécnica de Bragança”, disse.
O chefe do Governo disse ainda que o executivo irá aprovar em breve “uma nova lei da ciência e inovação”, visando estabelecer “um novo ecossistema em Portugal que possa ser uma referência na Europa e no mundo”.
“Também vamos ter uma discussão sobre as prioridades de investigação e inovação, porque naturalmente nós não podemos querer ser competitivos em tudo. Também há uma grande ligação da economia à inovação, para podermos ter apostas estratégicas em setores do conhecimento, que depois também são setores económicos, onde possamos ser mais competitivos”, disse.
Montenegro considerou que a mudança que o Governo está a fazer no sistema educativo e científico é “verdadeiramente nuclear e estrutural do futuro de Portugal”.
“Uma reforma que torna as nossas instituições mais flexíveis e com foco na mudança e no futuro, uma reforma que vai colocar as entidades do Ministério da Educação verdadeiramente ao serviço dos alunos e que vai permitir reduzir a burocracia na vida dos professores, na vida dos diretores e na vida das famílias”, disse.
Montenegro defendeu que “Portugal precisa deste tipo de reformas e transformações, reformas consistentes, baseadas em análises aprofundadas, exigentes e transparentes”.
“Nós assumimos os problemas que os outros deixaram na gaveta, mas nós não nos estamos a queixar disso, só estamos a dizer que partimos daí. Foi esse também o mandato que os portugueses nos deram e é por isso que isto vai continuar”, assegurou.
O presidente da Universidade Politécnica de Bragança (UPB) afirmou ver com “alegria e surpresa” o anúncio do primeiro-ministro, sobre transformar a instituição na Universidade de Bragança e do Norte Interior, acreditando que vai atrair investimento e alunos.
“Nós tínhamos a garantia do senhor ministro de que o nosso processo estava em análise e em andamento e teria um desfecho durante o segundo semestre deste ano, ou seja, até ao final do ano e, portanto, eu imaginava que acontecesse um pouco mais tarde”, afirmou, à Lusa o presidente do UPB, Orlando Rodrigues.
A instituição já tinha solicitado a transformação de politécnico para universidade há vários meses, no seguimento de também o Governo ter transformado os politécnicos do Porto e de Leiria em universidades.
Segundo Orlando Rodrigues, o politécnico de Bragança sempre se “destacou entre as instituições politécnicas”, pela “capacidade científica”, mas esta mudança vai permitir “uma afirmação muito diferente da instituição”, mas também angariação de financiamento internacional e de atração de estudantes.
“O que muda é o estatuto, isso dá-nos outras capacidades, outras ferramentas de nos afirmarmos, de atrairmos alunos, de atrairmos talento internacionalmente. Nós somos uma universidade muito internacionalizada e precisávamos claramente desta transformação”, vincou.
Os cursos terão de ser todos “reapreciados” para se enquadrarem no estatuto de universidade, que o presidente da instituição acredita que estará concluído até ao final deste ano letivo, 2026/2027.
O politécnico de Bragança, no início do mês de agosto, passou de Instituto Politécnico de Bragança, para Universidade Politécnica.
No entanto, em breve deixará de ser politécnico e passará a Universidade de Bragança e do Interior Norte, anunciou, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, durante o seu discurso na 22.ª edição da Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide.
A Universidade Politécnica de Bragança é composta por seis escolas: a Escola de Saúde, a Escola de Educação, a Escola Agrária e a Escola de Tecnologia e Gestão, em Bragança, a Escola de Comunicação, em Mirandela, e a Escola de Hotelaria e Bem-estar, em Chaves. Acolhe cerca de 10 mil estudantes, dos quais 30% são estrangeiros.