O reitor da Universidade de Leiria e Oeste (ULO), Carlos Rabadão, garantiu o reforço dos mecanismos de acompanhamento e apoio, para que dificuldades económicas ou pessoais não afastem os alunos da academia.
Em Leiria, na sessão solene de abertura do ano académico, o primeiro como ULO, Carlos Rabadão, dirigindo-se aos estudantes, começou por desejar que encontrem na universidade “uma formação sólida e exigente, mas também oportunidades para experimentar, investigar, criar e desenvolver novas ideias”.
“Contarão com o acompanhamento dos nossos docentes e com a dedicação dos nossos técnicos e dos nossos serviços”, afirmou, considerando que o percurso universitário “não deve ser visto apenas como uma preparação para uma profissão”, mas antes “um período de formação intelectual, humana e cívica, de descoberta e de crescimento”.
O reitor reconheceu, contudo, que para que as oportunidades sejam reais, é preciso “olhar para as condições em que cada estudante aprende e vive”.
“O alojamento, a alimentação, a acessibilidade, o apoio social e a saúde mental são parte da qualidade da experiência académica”, defendeu Carlos Rabadão, salientando que a ULO deve “continuar a reforçar os mecanismos de acompanhamento e apoio, para que dificuldades económicas, pessoais ou de saúde não interrompam um percurso de formação”.
Aos estudantes que atravessem dificuldades, o reitor apelou para que procurem apoio na ULO, pois “pedir ajuda é um passo importante para poder continuar”, agradecendo “à Associação Académica e às estruturas de representação dos estudantes” o contributo “para uma universidade participada”.
“A vossa voz é essencial para identificarmos dificuldades, melhorarmos a experiência académica e construirmos respostas em conjunto”, defendeu.
Já o presidente da Associação Académica da ULO, André Pereira, considerou que “há desafios que não desapareceram com a criação da universidade”.
“A habitação continua a ser uma preocupação para muitos estudantes, o acesso e a permanência no ensino superior continuam, em muitos casos, dependentes das condições económicas das famílias, a saúde mental continua a exigir respostas e a participação dos estudantes nas decisões da instituição continuará a depender não apenas da existência de lugares previstos nos regulamentos, mas da capacidade desses lugares terem voz”, alertou
Segundo André Pereira, “tudo isto acontece num momento de mudança no ensino superior português”, elencando o regime jurídico das instituições de ensino superior, a lei do associativismo jovem, as mudanças na ação social e o novo regulamento de bolsas.
“Não somos contra essa mudança, mas uma mudança não é necessariamente uma melhoria só porque é uma mudança, e é precisamente por isso que os estudantes têm de estar presentes, temos de acompanhar estas reformas, participar na sua discussão e avaliar”, prosseguiu o dirigente associativo.
Para André Pereira, pode atualizar-se regulamentos, alterar regimes e criar novos modelos, “mas, no final, há uma pergunta que não pode deixar de ser feita: está mais fácil ou mais difícil ser estudante?”.
“É essa a resposta que deve importar e é nessa resposta que a Associação Académica continuará a colocar a sua intervenção”, assegurou.
A oração de sapiência ficou a cargo do diretor-geral da COTEC Portugal, Jorge Portugal, numa sessão em que a ULO fez um reconhecimento público institucional à empresa Tekever e à Startup Leiria, pelo contributo para o desenvolvimento do território e colaboração mantida com a academia.
A ULO foi criada em julho último por transformação do Instituto Politécnico de Leiria. Tem cinco escolas superiores, três das quais em Leiria (Tecnologia e Gestão, Saúde, e Educação e Ciências Sociais), uma nas Caldas da Rainha (Artes e Design) e outra em Peniche (Turismo e Tecnologia do Mar).
Possui ainda núcleos de formação e 15 unidades de investigação. A sua comunidade académica integra 14.500 estudantes e cerca de 1.650 professores, investigadores, técnicos e administrativos.