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Universidade Universidade de Évora mostra estratégia para o oceano

28-07-2026

O reitor da Universidade de Évora, António Candeias, apresentou a estratégia de afirmação da UÉ nas Ciências do Mar, defendendo que a ligação da Universidade ao mar resulta de uma visão estratégica sustentada na ciência, na inovação e na cooperação. Aquele responsável falava no workshop "Alentejo e o Oceano – Desafios e oportunidades para a região no litoral do continente europeu", que decorreu no Colégio do Espírito Santo, no passado dia 22 de julho.

Citado em informação enviada ao Ensino Magazine, António Candeias, desafia a ideia de que uma universidade do interior não deva assumir o oceano como uma das suas prioridades. "À primeira vista, poderá parecer paradoxal que uma universidade sediada no interior do país coloque o oceano entre as suas áreas estratégicas de desenvolvimento. Mas os paradoxos, por vezes, escondem as maiores evidências (...) O oceano nunca esteve verdadeiramente distante da nossa identidade nem da nossa ambição", recordando a proximidade do litoral alentejano e a ligação histórica da Universidade às ciências marinhas.

A este propósito, destacou o  trabalho do "Laboratório de Ciências do Mar (CIEMAR), criado em 1990, como unidade de investigação, ensino e prestação de serviços dedicada ao conhecimento do ambiente marinho e à utilização sustentável dos seus recursos, particularmente na costa alentejana. Salientou ainda que o Laboratório foi "o embrião da participação da Universidade de Évora no MARE - Centro de Ciências do Mar e do Ambiente", desempenhando desde então um papel relevante no apoio científico e logístico a cursos de licenciatura, mestrado e doutoramento, bem como em ações de divulgação científica dirigidas às comunidades locais".

António Candeias anunciou que está concluído o projeto da futura sede do CIEMAR, um investimento superior a três milhões de euros. "Pretendemos que este novo espaço reforce a investigação multidisciplinar, fomente a inovação e contribua para o aparecimento de novas atividades económicas de elevado valor acrescentado para a região. A crescente afirmação de Sines e Santiago do Cacém como polos ligados ao mar e à economia azul representa uma oportunidade para reforçar a presença da Universidade no território. A Universidade de Évora pretende afirmar-se como um parceiro estratégico deste processo, colocando o conhecimento científico ao serviço das empresas, dos municípios, das instituições e da sociedade", sublinhou.

“Para concretizar esta visão, continuaremos a investir de forma inequívoca na formação em Ciências e Tecnologias do Mar”, afiançou António Candeias, tendo destacado no domínio da formação o lançamento da licenciatura em Estudos do Mar, iniciada no ano letivo de 2025/2026, desenvolvida em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade do Algarve. Referiu ainda os mestrados em Gestão e Conservação de Recursos Naturais e em Engenharia e Gestão da Aquacultura, bem como a proposta de doutoramento em Ciências e Tecnologias do Meio Aquático, atualmente em avaliação, que pretende reforçar a formação avançada nesta área em colaboração com outras instituições de ensino superior.

O reitor recordou ainda a participação da instituição na preparação da proposta portuguesa de extensão da plataforma continental e o apoio prestado junto da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos. “O território marítimo, sob jurisdição nacional, representa uma das maiores responsabilidades e, simultaneamente, uma das maiores oportunidades estratégicas do país. É um património que importa conhecer melhor, preservar com responsabilidade e valorizar de forma sustentável”, referiu.

Na parte final da sua intervenção, António Candeias estabeleceu um paralelismo entre os desafios da investigação oceânica e a necessidade de aproximar o interior do litoral através do conhecimento. "Tal como o oceano nunca se deixou conquistar apenas pela proximidade geográfica, também a ligação entre o interior e o litoral se constrói pela ciência, pela colaboração e pela determinação", afirmou.

Concluindo, o Reitor sintetizou a visão estratégica da Universidade de Évora para esta área: "No fundo, o oceano começa sempre antes da linha da costa; começa na vontade de o compreender. É essa vontade que hoje nos reúne."

O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para refletir sobre os desafios que o oceano enfrenta, o contributo da investigação científica para a sua preservação e as oportunidades que o mar representa para o desenvolvimento sustentável e a competitividade do país.

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