Cerca de uma centena de alunos de Arqueologia na Universidade do acaba de participar numa campanha de trabalhos de campo que abrangeu oito municípios situados no Norte e Centro de Portugal e na região da Galiza e Leão. O programa teve tutela científica do Departamento de História do Instituto de Ciências Sociais, em articulação com as autarquias envolvidas, o Laboratório de Paisagens, Património e Território (Lab2PT) e a Unidade de Arqueologia da academia minhota, contando ainda com a participação externa de professores e discentes da Universidade Rovira i Virgili e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul.
As equipas de prospeção atuaram em múltiplos sítios cronológicos, documentando em Alfândega da Fé gravuras rupestres de representações solares pré-históricas sob orientação de Hugo Sampaio, Ana Bettencourt e Pedro Vaz, enquanto a Escola de Arqueologia de Vila Velha de Ródão, liderada por Telmo Pereira na bacia da ribeira do Açafal, aprofundou a presença dos neandertais no território com o apoio de entidades locais de património.
Em meio urbano, as escavações prosseguiram na Colina da Cividade, em Braga, sob a orientação de Fernanda Magalhães e Maria do Carmo Ribeiro, detalhando as fundações romanas de Bracara Augusta, e no concelho de Arcos de Valdevez decorreu um laboratório de investigação territorial coordenado por Rebeca Blanco-Rotea e Cidália Silva focado nos fortes seiscentistas da raia.
As frentes transfronteiriças estenderam-se ao território galego em As Torres (Tomiño), onde foram identificados vestígios que cruzam uma mina romana com fortificações da Baixa Idade Média e das Guerras da Restauração, associados a mais de 700 artefactos inventariados pela equipa de Rebeca Blanco-Rotea.
Os trabalhos incidiram ainda no sítio tardo-romano de Casaio, na Cibdá castreja de Armea (Allariz) em colaboração com a Universidade de Vigo, e no povoado medieval de "Castro de los Judíos", em Puente Castro (Leão), onde a diretora de curso, Fernanda Magalhães, sublinhou a intenção de estreitar protocolos institucionais em Espanha e no Brasil para potenciar a formação de campo e a internacionalização dos futuros arqueólogos.