O Conselho Geral da Universidade de Coimbra determinou que não “existem condições de momento” para “qualquer diálogo” de uma eventual integração do Instituto Superior Miguel Torga naquela instituição, foi anunciado a 29 de setembro.
O Conselho Geral deu nota da reunião realizada na sexta-feira, em que ficou “assente e decidido que não existem condições de momento para prosseguir qualquer diálogo que pudesse conduzir a uma eventual integração” do ISMT na Universidade de Coimbra (UC), afirmou aquele órgão, numa nota enviada, no dia 29 de setembro, à comunidade académica a que a agência Lusa teve acesso.
A decisão surge depois de o ISMT, instituição de ensino superior privada detida pela Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra (CIMRC), ter afirmado, em julho, aquando da sua deslocalização para a Baixa da cidade, que estava a ser estudado um modelo de integração na UC.
Na altura, o reitor da Universidade de Coimbra, Amílcar Falcão, falou de várias soluções possíveis, vincando que estava “absolutamente certo” de que as duas instituições teriam “um futuro em comum, de uma forma ou de outra”.
Nesse mesmo momento, Amílcar Falcão afirmou que, em setembro, seria apresentada uma proposta ao Conselho Geral.
Além desta decisão, aquele órgão da UC também afastou qualquer possibilidade de integração da Universidade Politécnica de Coimbra.
O Conselho Geral decidiu “que esta possibilidade está de momento suspensa e sem nenhuma proposta para que se possa efetuar, dada a significativa e efetiva diferença entre as duas instituições e os distintos pontos de vista defendidos”, referiu, na mesma nota à comunidade académica.
O presidente da Associação Académica de Coimbra e membro do Conselho Geral, José Machado, disse à agência Lusa que a deliberação foi unânime nos dois casos.
Para José Machado, foi consensual que a UC pode dispor-se a ajudar o Instituto Superior Miguel Torga em algumas questões, “nomeadamente na salvaguarda dos estudantes”, mas, fora desse âmbito, “não faz sentido” neste momento e não teria “sentido estratégico para a Universidade”.
Ainda neste mês, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, tinha afirmado que o ISMT deveria ser integrado na UC.
“Este instituto vai passar, provavelmente, com todas as cautelas, para a Universidade [de Coimbra]. E, no fim do dia, vamos ter um polo da Universidade na Baixa e haveremos de ter mais”, disse Ana Abrunhosa, durante a Assembleia Municipal deste mês, em que foi discutida e aprovada a proposta de cedência de dois edifícios da autarquia para a instalação do ISMT, na rua Ferreira Borges, na Baixa da cidade.
Na discussão do ponto, a autarca disse que foi condição do Ministério da Educação que o ISMT fosse integrado na Universidade de Coimbra e mudasse de instalações.
“O reitor [da UC] mostrou disponibilidade em acolher o Instituto Superior Miguel Torga num formato a decidir e nós, que também somos CIM [comunidade intermunicipal], encontrámos a solução em edifícios de que somos proprietários”, afirmou, na altura.
O ISMT registou uma quebra de mais de 30% nas novas matrículas no ano letivo 2025/2026 e um resultado líquido negativo em 2025 de 70 mil euros.
No passado, a Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) decidiu não acreditar o Instituto Superior Miguel Torga, determinando o seu encerramento, decisão que é contestada em tribunal pela instituição.