Sofia Lopes, Alice Carvalhais, Ágata Vieira e Gabriela Brochado, docentes e investigadoras da CESPU, na Escola Superior de Tecnologias da Saúde do Tâmega e Sousa, defendem que "é fundamental desenhar planos de reabilitação personalizados que respeitem os gestos técnicos do halterofilismo e os padrões respiratórios das atletas".
As professoras, fazem aquela recomendação num artigo de opinião publicado na plataforma My Urologia e que teve por base "um estudo recente que revela que mais de 60% das atletas de halterofilismo sofrem de perdas involuntárias de urina durante a prática desportiva".
De acordo com a CESPU, "as investigadoras defendem a urgência de quebrar o silêncio em torno desta temática e sublinham a importância de uma abordagem personalizada na área da Fisioterapia Pélvica".
O estudo realizado revela que "mais de 60% das atletas inquiridas reportaram perdas de urina nos treinos, e 36,9% apresentam sintomas mensuráveis de incontinência de esforço".
O trabalho refere ainda que "o problema não está associado aos fatores de risco tradicionais (como idade, IMC ou gravidezes anteriores), nem isoladamente à carga ou ao uso de cinto. A saúde pélvica é multifatorial e envolve aspetos neuromusculares e psicossociais".
Por isso, defendem que a intervenção não pode assentar em "respostas-padrão. É fundamental desenhar planos de reabilitação personalizados que respeitem os gestos técnicos do halterofilismo e os padrões respiratórios das atletas".
No artigo é deixado "um apelo claro à comunidade desportiva para romper o estigma. Muitas atletas sofrem em silêncio, restringem o esforço ou abandonam a modalidade por vergonha. Cabe aos profissionais de saúde criar espaços seguros e livres de julgamento para diagnosticar e tratar esta condição com eficácia".