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Para alimentação, saúde e agricultura Universidade de Évora cria método inovador para produção em massa de criadilhas

11-03-2021

A Universidade de Évora (UÉ) desenvolveu um projeto tecnológico para a produção em massa de criadilhas ou túberas para diferentes setores, como o alimentar, cosmético ou agrícola. O anúncio foi feito ao Ensino Magazine pela Universidade de Évora.

De acordo com a informação enviada à nossa redação, os investigadores da UÉ “desenvolveram um processo tecnológico para a obtenção de plantas inoculadas visando a produção de túberas lançando as bases para uma nova forma de produção de alimentos com propriedades nutracêuticas e a exploração sustentável deste recurso micológico, de uma forma sustentável, resiliente e economicamente rentável”.

As túberas ou criadilhas  caracterizam-se por permanecer debaixo da terra até à maturação dos esporos, e por possuírem uma forma arredondada, medir em média 4 a 8 cm diâmetro, podendo atingir 10 centímetros. Surgem apenas na primavera e são mais comuns no sul do nosso país, região Alentejo, em solo arenosos e ácidos, ocorrendo também, com menos expressão, na Beira Litoral e na Beira Baixa.

Celeste Santos e Silva, professora do Departamento de Biologia e investigadora no MED, explica que a “esta importante descoberta aguarda atribuição de patente europeia. Uma das etapas cruciais deste processo tecnológico foi o isolamento do micélio de Terfezia em cultura pura, ou seja conseguir fazer crescer este fungo numa caixa de Petri com ágar-ágar, que dá ao meio uma consistência gelatinosa, e com uma determinada composição de nutrientes e minerais”.

A nova técnica criada e desenvolvida na Universidade de Évora refere-se, assim, ao processo que permite melhorar o isolamento e a manutenção da cultura de micélio de espécies do género Terfezia. “Este género é considerado o mais diverso, rico em número de espécies, do grupo das "trufas-do-deserto. Conseguimos melhorar as taxas de isolamento e aumentar a proliferação de Terfezia spp de forma confiável e reproduzível” destaca, na mesma nota, a investigadora da academia eborense.

No seu entender, “esta investigação lançou ainda as bases para uma nova forma de produção de alimentos com propriedades nutracêuticas” destaca a Investigadora referindo-se à combinação dos termos "nutrição" e "farmacêutica" mostrando utilidade, entre outros para o sector agro-florestal e “que permitirá a exploração sustentável deste recurso micológico, de uma forma sustentável, resiliente e economicamente rentável”.

Celeste Santos e Silva, frisa ainda que a disseminação de plantas inoculadas com Terfezia spp., “previne a desertificação e erosão do solo, reforça a integridade e a multifuncionalidade da paisagem e permite a recuperação de áreas ardidas e/ou com solos degradados''. A concretização desta nova forma de produção assegura a investigadora do MED, “possibilitará a criação de mais emprego, invertendo a tendência atual para a desertificação das áreas rurais”.

 
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