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Lusofonia Universidade moçambicana e Camões apoiam ensino de português

13-10-2026

Professores e estudantes da Universidade de Dar es Salaam, na Tanzânia, vão reforçar a formação em língua e cultura portuguesas, num projeto apoiado pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e pelo Instituto Camões, anunciou a instituição de ensino moçambicana.

m comunicado, a maior e mais antiga universidade de Moçambique refere que o protocolo prevê a colocação de um leitor de Língua e Cultura Portuguesas na universidade tanzaniana, sendo os encargos financeiros suportados pelo Instituto da Cooperação e da Língua - Camões, organismo do Estado português responsável pela promoção da língua portuguesa no estrangeiro.

Segundo a UEM, a iniciativa responde ao interesse da Universidade de Dar es Salaam em "proporcionar aos seus professores e estudantes meios que permitam aprofundar os seus conhecimentos nas áreas da Língua e Cultura Portuguesas", reforçando simultaneamente a diplomacia daquele país com os Estados de língua oficial portuguesa.

O protocolo de cooperação, assinado na quarta-feira em Maputo, pelo reitor da UEM, Manuel Júnior, e o embaixador de Portugal em Moçambique, José Monteiro, estabelece as condições para o financiamento da docência de Língua e Cultura Portuguesas e para o desenvolvimento dos Estudos Portugueses na universidade tanzaniana.

Citado no comunicado, o embaixador de Portugal afirmou que a colocação de um docente naquela instituição tem um significado que ultrapassa a promoção da língua portuguesa.

Segundo o diplomata, a iniciativa representa uma contribuição para a valorização da língua portuguesa enquanto património comum dos países lusófonos e um instrumento de afirmação internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Por sua vez, o reitor da Universidade Eduardo Mondlane destacou a importância da expansão da língua portuguesa na região da África Austral.

"O leitor não é apenas uma pessoa que vai lecionar, é uma pessoa que vai carregar a bandeira de uma comunidade inteira", afirmou, citado no documento.

Nos termos do acordo, os candidatos ao leitorado deverão possuir grau de mestrado ou doutoramento em Língua Portuguesa, ou áreas afins, segundo os requisitos de contratação de pessoal académico da UEM.

O protocolo prevê igualmente a apresentação de relatórios periódicos sobre as atividades desenvolvidas pelo docente, que serão avaliados por uma comissão científico-pedagógica.

Portugal apoiou perto de quatro mil estudantes moçambicanos nos últimos 10 anos, através de programas de bolsas e formação, incluindo no ensino superior, ciência, defesa e ciências policiais, segundo dados divulgados na quinta-feira pela Cooperação Portuguesa.

No ano letivo 2026/2027, 17 novos estudantes moçambicanos beneficiam de bolsas para prosseguir estudos superiores em Portugal, dos quais oito em licenciatura e nove em mestrado, em universidades de Aveiro, Coimbra, Lisboa, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro.

Os oito novos bolseiros de licenciatura, provenientes de diferentes províncias moçambicanas, vão partir na segunda-feira para Portugal para frequentar cursos nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (CTEM), consideradas estratégicas para a formação de quadros capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável e inclusivo de Moçambique.

Atualmente, a Cooperação Portuguesa apoia 109 estudantes moçambicanos através de bolsas, dos quais 74 frequentam instituições de ensino superior em Portugal, 25 estudam no ensino superior em Moçambique e 10 frequentam o ensino secundário na Escola Portuguesa de Moçambique – Centro de Ensino e Língua Portuguesa.

O embaixador de Portugal em Moçambique, Jorge Monteiro, considerou a educação e a formação um dos pilares fundamentais da cooperação entre os dois países, defendendo que o investimento na qualificação dos jovens constitui uma das formas mais eficazes de contribuir para o desenvolvimento de Moçambique.

Lusa
UEM
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