O I Encontro da Crioulidade Atlântica decorreu entre os dias 28 e 30 de maio, na cidade da Praia, em Cabo Verde, com a proposta de criação de um fórum permanente e a promessa de uma segunda edição, daqui a dois anos.
“Propomos a criação de mecanismos permanentes de diálogo, reflexão e cooperação em torno da crioulidade atlântica, através da instituição de um fórum permanente dedicado às sociedades e culturas crioulas do espaço atlântico”, lê-se na Declaração da Praia.
No mesmo âmbito, “Cabo Verde compromete-se a realizar a II edição do Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica na última semana de maio de 2028”.
Os dois pontos fecham a declaração divulgada no final do encontro, uma “expressão do compromisso comum de promover uma cultura de diálogo, de respeito pela diversidade das expressões culturais, de cooperação entre os povos e de construção de um futuro assente na dignidade humana, no conhecimento, na criatividade e na paz”.
Entre outros aspetos práticos, o documento salienta “a necessidade de preservar e valorizar os sítios de memória e do património, os arquivos históricos” e expressões ligados às experiências atlânticas e crioulas.
Esse manancial pode sustentar “abordagens educativas e culturais” sobre “o contributo das sociedades crioulas em toda a sua diversidade, para o património e para a experiência comum da humanidade”.
O I Encontro da Crioulidade Atlântica decorreu desde o dia 28 de maio nas instalações da Universidade de Cabo Verde (UniCV), juntando especialistas das costas atlânticas em áreas como a educação, história, língua cultura, incluindo uma degustação gastronómica crioula.
O encontro foi promovido pelo Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, enquanto líder da União Africana (UA) para a Preservação do Património Natural e Cultural e como patrono da Década do Oceano das Nações Unidas.
Dirigentes políticos e associativos defenderam a crioulidade como exemplo de valorização da diversidade e resposta à polarização global.
"As entidades mais ricas resultam sempre de fusões, de saberes e de trocas", afirmou o Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, numa mensagem em vídeo enviada para a abertura do evento.
Noutra mensagem, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considerou que a cultura crioula conta a história da humanidade, enquanto o anfitrião, José Maria Neves, alertou para um mundo "caótico", defendendo a crioulidade como via para reforçar a convivência entre povos.
O programa incluiu intervenções de governantes de países lusófonos e de outras nações crioulas, bem como representantes de organizações internacionais, além de visitas culturais à Cidade Velha, berço da nação cabo-verdiana, no século XV, centro histórico da Ribeira Grande de Santiago e Património Mundial da UNESCO.