Este website utiliza cookies que facilitam a navegação, o registo e a recolha de dados estatísticos.
A informação armazenada nos cookies é utilizada exclusivamente pelo nosso website. Ao navegar com os cookies ativos consente a sua utilização.

Diretor Fundador: João Ruivo Diretor: João Carrega Ano: XXVIII

Cultura Livros e leituras

16-10-2026

China- Poemas do erotismo suave (Guerra & Paz), tradução, prefácio e notas de António Graça de Abreu (n. 1947, Porto), um dos nossos mais destacados sinólogos, apresenta-nos uma recolha da grande tradição chinesa erótica e literária da antiguidade aos dias de hoje, num livro também ilustrado com gravuras de época.

Cantos de Tristeza (Quetzal), de Ovídio (43 a.C.- 18 d.C.), com edição bilingue, e tradução, introdução e notas de Carlos Ascenso André, do poeta romano de grande renome à época, condenado ao exílio aos 51 anos, nos confins do império, nas remotas e agrestes margens do Mar Negro, compondo esta “poética do exílio”, que teve ampla influência em poetas vindouros.

Grande Sertão: Veredas (Companhia das Letras) de João Guimarães Rosa (1908-1967), edição comemorativa dos 70 anos de publicação, com apresentação de Clara Rowland, desta obra-prima do escritor brasileiro, “um livro do tamanho do mundo”, publicada em 1956, um clássico da língua portuguesa:”O diabo na rua, no meio do redemoinho”.

Vigília (Relógio d´Água), de George Saunders (n. 1958), romance espectral, na esteira do premiado “Lincoln no Bardo”, segue as aventuras de Jill Blaine, uma jovem encarregue de guiar os defuntos no bardo, o além tibetano, neste caso, um magnata do petróleo, representante do capitalismo ganancioso e destrutivo, que não se arrepende de nada, e que ela tem de acompanhar, num registo burlesco e satírico.

Miss Bee & o Cadáver na Biblioteca (ASA), de Alessia Gazzola (n. 1982, Messina), inaugura uma série de policiais “retro”, ao estilo Agatha Christie, com Beatrice Bernabò, uma jovem italiana desembaraçada e perspicaz, a viver nos anos 20 em Londres, e que auxilia um inspector- chefe da Yard a deslindar o estranho caso do homicídio de um agiota dono de uma mina na Índia.

As Melhores Aventuras de Sherlock Holmes (Relógio d´Água), selecção e prefácio de Ana Teresa Pereira, incluiu onze contos e a novela “O Cão dos Baskervilles”, do mais famoso detective, criação de sir Arthur Conan Doyle, que vive para toda a eternidade no nº  221-B de Baker Street, segundo o relato do seu amigo biógrafo, o fiel Dr.Watson.

Missão em Paris (ASA), de Arturo Pérez-Reverte (n. 1951, Carategena), uma aventura do capitão Alatriste e do seu jovem amigo de armas Iñigio Balboa, levados a Paris pelo poeta Quevedo, com uma missão secreta e rocambolesca, a levar a cabo em La Rochellle, onde se encontram com os célebres quatro mosqueteiros de Dumas.

Tinta e Sangue (D.Quixore), de Han Kang, Prémio Nobel 2024, da escritora sul-coreana, conta a história da vida e morte de uma pintora e da sua amiga, que se recusa a acreditar que se tenha suicidado, empreendendo a busca da verdade, num registo lírico em que a pintura, o sonho, e a astrofísica se mesclam como tinta no papel.

A Arte sem História (Tinta-da-china), de Filipa Lowndes Vicente (n. 1972, Lisboa), em reedição, com o subtítulo “Mulheres e cultura artística (séculos XVI-XX)”, põe a nu “a invisibilidade feminina na história da arte”, revelando artistas esquecidas e realçando o papel das mulheres artistas, e o seu contributo fundamental, a nível internacional, e só para citar exemplos nacionais, desde Josefa de Óbidos, a Paula Rego.

O Poder da Palavra (Penguin Clássicos), de Simone Weil (1909-1943), três ensaios da maior filósofa francesa do século passado, versando o poder das palavras e o seu significado, a personalidade humana e os seu predicados e as necessidades da alma e as suas funções: “Tudo o que é impessoal no Homem é sagrado”, porque “a beleza é o mistério supremo deste mundo”.

Melancolia dos Confins- Norte (D. Quixote), de Mathias Ernard (n.1972), uma viagem pelos meandros do tempo histórico, tendo como epicentro a cidade de Berlim, através da “literatura dos limites e poesia dos confins”, e apelando à memória, essa forma sublime de esquecimento, numa deambulação, ao mesmo tempo melancólica e erudita, num devaneio que acaba em Cacilhas.

Weimar (Penguin), de Katja Hoyer (n. 1985, Alemanha), com o subtítulo “A vida à beira da catástrofe”, é uma vasta e detalhada pesquisa de arquivo, nos anos de 1919 a 1939, sobre como a República de Weimar soçobrou aos nazis, através dos testemunhos de gente comum , que de espectadores se transformaram em vítimas do mais sanguinário e fanático dos regimes.

No Rasto de Blueberry (ASA), homenagem a Jean-Michel Charlier e Jean Giraud, criadores do “Tenente Blueberry”, por parte de 29 desenhadores que, em catorze histórias, revivem o anti-herói do Oeste, protagonista de uma das séries mais míticas da BD, num álbum para admiradores e futuros leitores embarcarem numa viagem pelo tempo das pradarias, bandidos, vaqueiros e índios.

José Guardado Moreira

Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico

Voltar