Escritos Ocultistas (Assírio &Alvim), de Fernando Pessoa, edição de Fernando Cabral Martins e Richard Zenith, reúne textos, muito deles inéditos, do espólio do poeta, sobre o seu continuado interesse pelas correntes esotéricas, da Teosofia, Rosa-Cruz, Cabala, Templários ou Maçonaria, dando a conhecer o substrato contraditório e doutrinário do seu pensamento, disseminado pela obra literária.
Nevoeiro: uma investigação (Assírio & Alvim), de Pedro Eiras (n.1975,Porto), sobre a personagem Fernando Pessoa à beira da morte, com António Ferro e Salazar em pano de fundo, em forma de ensaio, sobre o poeta e a sua circunstância, num Estado Novo, que se instala de forma nacional-repressiva.
Seis Noites na Acrópole (E- Primatur), de Yórgos Seféris (1900-1971), poeta grego nobelizado em 1963, na sua única incursão pelo romance, história de um triângulo amoroso, que decorre nos anos vinte em Atenas, cidade que é o palco desta tragédia urbana, com ecos nos clássicos, em elevado registo poético.
Ave Negra (Cavalo de Ferro), de Gunnar Gunnarsson (1889-1975), considerado o precursor do romance noir nórdico, relatada pela do vigário local, a história de adultério e morte, numa pequena localidade islandesa, em busca de uma verdade que satisfaça tanto a sociedade como a ordem divina que os homens projectam, em busca de consolo.
O barqueiro e a sua mulher (Bertrand), de Frode Grytten (n.1960, Bergen), conta-nos a fabulosa história de Nils Vik, um barqueiro de fiorde, que vai desfiando as recordações de uma vida, ao mesmo tempo que se dirige para um fim desejado, ao encontro de Marta, o amor da sua vida, num registo de uma delicadeza intemporal.
Negras Costas do Tempo (Alfaguara), de Javier Marías (19951-2022), fabulosa digressão pessoal e literária em torno do livro “Todas as Almas” e das sus personagens reais e fictícias, numa prosa soberba deste mestre da literatura, num livro que é também um resumo da sua arte de narrar.
Morrer na Praia (Porto Editora), de Leonardo Padura (n.1955, Havana), “romance baseado em factos reais”, numa sociedade cubana em desagregação, história de um parricídio sem perdão, e de um amor tardio, este sim, redentor, em forma de elegia.
Mais Além (Contraponto), de Gonçalo Cadilhe (n. 1968, Figueira da Foz), com o subtítulo “Uma história sentimental da viagem e dos viajantes” é um empolgante convite a percorrer, ao lado do autor, uma viagem pelos caminhos do mundo.
A Gravidade e a Graça (Guerra &Paz) de Simone Weil (1909-1943, filósofa, primeira mulher catedrática francesa, “o único grande espírito do nosso tempo”, reúne neste livro aforismos de alcance universal, sempre em busca da verdade: “Dinheiro, maquinismo, álgebra. Os três monstros da civilização actual. Analogia completa”.
Aliados em Guerra (D. Quixote), de Tim Bouverie, com o subtítulo “Os rivais que derrotaram Hitler”, é uma fabulosa reconstituição histórica da relação entre as potências ocidentais e o poder soviético, estabelecida para derrotar o nazismo, e de como essa aliança se forjou e desfez no final, abrindo a porta para a Guerra Fria.
Breve História da Cultura Ocidental (Ideias de Ler), de Fernando Gonçalves, com o subtítulo ”A história, o pensamento e a arte da Antiguidade até aos dias de hoje”, é um excelente contributo para qualquer biblioteca e um livro de cabeceira para o leitor interessado em percorrer os caminhos da literatura, pintura e música, além da história das ideias que formaram o vasto manancial da cultura ocidental.
Maite (D. Quixote), de Fernando Aramburu (n.1959, San Sebastián), regresso ao ambiente do País Basco, em Julho de 1997, quando a ETA assassina Miguel Ángel Blanco, provocando grande comoção, para contar a história de duas irmãs, uma delas a viver nos EUA, e que regressa para uma visita, o que mudará vida de ambas.
Caso Fantasma (Bertrad), de Thomas Pynchon (n.1937, Long Island), o mais recente romance do génio norte-americano, no qual um detective fura-vidas é despachado da Grande Depressão para a Hungria, seguindo um rasto de uma herdeira relapsa, caindo no vórtice da ascensão do nazismo, numa revoada de personagens excêntricas.
A Rosa e o Teixo (ASA), de Agatha Christie (1890-1976), sob o pseudónimo de Mary Westmacott, notável romance psicológico, que conta a história da relação atribulada de uma jovem aristocrática e um escroque sem escrúpulos, num meio conservador, na Cornualha, desvendando o que se esconde na mente humana.
Cruzados (Penguin), de Dan Jones, história das Cruzadas, que na Idade Média levou à conquista e à rapina das terras da Palestina, com a tomada de Jerusalém até à queda de Acre, vertendo sangue cristão, judeu e árabe, num registo muito bem conseguido.
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