A formação superior está associada a melhores salários e maior empregabilidade, mas estes diplomados têm também maior facilidade em encontrar um emprego que lhes permita trabalhar a partir de casa, segundo um relatório divulgado a 29 de setembro.
A conclusão consta da edição de 2026 do Education at a Glance, o relatório anual da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) que fornece estatísticas sobre os sistemas educativos dos 38 Estados-membros.
Edições anteriores do relatório têm confirmado as vantagens de chegar ao mercado de trabalho com um diploma de ensino superior, em particular no que respeita aos ganhos salariais e à empregabilidade.
Depois de uma pandemia que, em 2020, forçou o mundo a recolher-se em casa, a OCDE olha agora também para o teletrabalho, um modelo imposto pela covid-19, mas que se normalizou em muitas empresas depois disso.
“Os trabalhadores com níveis de escolaridade mais elevados têm, na maioria dos países, uma probabilidade muito maior de desempenhar funções que lhes permitem trabalhar a partir de casa”, refere o relatório.
Na média dos países da OCDE, 42% dos diplomados do ensino superior trabalham a partir de casa, uma percentagem significativamente superior em comparação com os diplomados do ensino secundário (18%) e com os trabalhadores com níveis de qualificação mais baixos (10%).
Portugal não é exceção e acompanha a prevalência do teletrabalho entre os licenciados, mas apresenta uma diferença ainda maior para os trabalhadores que concluíram apenas o ensino secundário.
Em 2023, apenas 12% dos diplomados do ensino secundário reportavam trabalhar, por vezes ou habitualmente, a partir de casa.
Olhando para os níveis de proficiência em numeracia, o relatório revela igualmente vantagens na flexibilidade horária: 42% dos adultos com competências elevadas dizem ter alguma ou muita flexibilidade no trabalho, sendo apenas 28% entre os adultos com níveis de proficiência mais baixos.
Quando está em causa a flexibilidade no trabalho, as qualificações não são, no entanto, o único fator de influência e os dados mostram diferenças de género.
“Em média, 47% dos homens com formação superior afirmam ter uma elevada ou muito elevada flexibilidade nos seus horários de trabalho na principal atividade profissional, em comparação com 35% das mulheres com formação superior”, refere o relatório.
Os autores explicam que a diferença pode estar relacionada com a sobrerrepresentação das mulheres em profissões que permitem uma menor autonomia sobre os horários, como educação ou trabalho social.
“Adicionalmente, as diferenças de género nos tipos de funções desempenhadas, nas preferências quanto ao horário de trabalho e nas responsabilidades familiares podem influenciar o acesso e as perceções sobre flexibilidade”, acrescentam.
Por outro lado, os trabalhadores com, pelo menos, uma licenciatura, tendem a cumprir mais horas extraordinárias e preocupam-se mais com o trabalho quando não estão a trabalhar, dados que demonstram “a maior prevalência de funções de gestão, bem como o maior grau de responsabilidade e autonomia frequentemente associado a essas posições”.
No que respeita aos salários, o Education at a Glance 2025 sublinha que em quase todos os países da OCDE os trabalhadores sem ensino superior têm rendimentos abaixo da média nacional.
Em Portugal, as diferenças salariais não são tão acentuadas, mas o país não foge à tendência internacional.
Trabalhadores com o 12.º ano ganhavam, em 2024, menos 12% do que a média nacional (ou menos 9% no caso do ensino profissional) e menos 25% se não tivessem concluído o ensino secundário.
Já os resultados em termos de emprego dos recém-diplomados do ensino superior variam consoante o país e são influenciados pelas condições económicas, pela procura de mão-de-obra e pelas políticas públicas.
Na última década, a taxa de desemprego de jovens licenciados aproximou-se da média da OCDE (atualmente nos 5%), passando de 13% em 2015 para 6% em 2025.