A seleção portuguesa composta por dez jovens, distribuídos por sete profissões: robótica industrial, robótica móvel, mecatrónica, soldadura, controlo industrial, cabeleireiro e maquinação CNC, está a participar no Mundial da Profissões. O WorldSkils Shanghai 2026 decorre de 22 a 27 de setembro. Fique a conhecer um pouco dos nossos "atletas estudantes".
Aos 15 anos, quando muitos colegas ainda tentavam perceber o que queriam fazer no futuro, Leonor Silva, que representa Portugal em cabeleireiro no WorldSkills, decidiu aprender uma profissão e entrar logo no mercado de trabalho.
"Eu tinha uma grande vontade de trabalhar e gostava da área da beleza. E foi um bocado por aí que decidi escolher um curso profissional", explicou à agência Lusa a jovem de Santa Maria da Feira, hoje com 20 anos, nas vésperas de participar naquela que é a maior competição mundial de profissões, que decorre ao longo desta semana em Xangai, a “capital” económica da China.
Leonor começou uma formação em cabeleireiro em 2021, com cerca de dois anos e meio de duração.
"Comecei logo a trabalhar na área. E depois, quando concluí a formação, continuei a trabalhar", contou.
A jovem integra uma seleção portuguesa composta por dez participantes, distribuídos por sete profissões: robótica industrial, robótica móvel, mecatrónica, soldadura, controlo industrial, cabeleireiro e maquinação CNC.
Portugal está, aliás, ligado às competições internacionais de profissões desde a sua origem: juntamente com Espanha, inaugurou a competição em Madrid, em 1950.
A composição da equipa espelha também a diversidade do atual ensino profissional, cada vez mais ligado a áreas tecnologicamente avançadas e para as quais existe procura de trabalhadores qualificados.
Gustavo Seia, coordenador da WorldSkills Portugal, estrutura integrada no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), considera que Portugal continua a enfrentar falta de mão-de-obra nestas áreas.
"O nosso país ainda carece de mão-de-obra qualificada", afirmou à Lusa, atribuindo parte do problema a uma "hipervalorização do científico-humanístico", que durante anos levou muitas famílias a privilegiar a universidade em detrimento da formação profissional.
Segundo o responsável, apesar de a perceção ter melhorado, "há trabalho a fazer" para acabar com o estigma associado a esta via de ensino.
"Estas profissões são eminentemente manuais", mas exigem trabalhadores "altamente qualificados" e devem ser valorizadas também ao nível da remuneração, acrescentou.
A formação profissional não significa, porém, abdicar da universidade.
Entre os dez portugueses presentes em Xangai há jovens que prosseguiram estudos superiores nas áreas em que começaram a formar-se profissionalmente.
É o caso de Daniel Silva, de 21 anos, que começou pela mecatrónica no ensino profissional, completou formação de níveis 4 e 5 e frequenta agora Engenharia Eletrotécnica e de Computadores no Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP).
Daniel compete em robótica móvel, uma área que combina programação, visão artificial e sistemas autónomos capazes de executar tarefas como transportar e manipular objetos.
O jovem considerou que a formação profissional deu-lhe uma base para prosseguir estudos numa área relacionada e não vê as duas vias como alternativas incompatíveis.
Gustavo Seia sublinhou precisamente que concluir uma formação profissional não impede o acesso posterior ao ensino superior.
"Há casos, inclusivamente nesta equipa que está aqui connosco em Xangai, que já estão a frequentar o ensino superior nas áreas das suas profissões", afirmou.
Para o coordenador da WorldSkills Portugal, uma das principais vantagens continua, no entanto, a ser o acesso ao mercado de trabalho.
"As profissões que trazemos são profissões com alta empregabilidade", disse, considerando que um jovem que conclua este tipo de formação dispõe de boas perspetivas de encontrar trabalho, mesmo que decida simultaneamente prosseguir os estudos.
Foi precisamente a possibilidade de se tornar independente ainda muito jovem que atraiu Leonor.
"Eu queria começar a fazer carreira”, disse. “Queria começar logo a fazer a minha vida".