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Atualidade Jorge Palma: o adeus a um dos grandes da música portuguesa

22-09-2026

Jorge Palma, músico, cantor e compositor português, faleceu na noite de 21 de setembro, de paragem cardiovascular. O País presta homenagem a um dos nomes relevantes da música portuguesa contemporânea.

O velório está marcado para dia 23 de setembro na Voz do Operário, em Lisboa, entre as 15 e as 22 horas, “para que todos se possam despedir e prestar uma última homenagem”, anunciou a família. No dia 24, o cortejo fúnebre sai da Voz do Operário às 15 horas, em direção ao cemitério do Alto de São João, onde decorrerá a cremação, “estritamente reservada à família e amigos próximos”.

A família e a agência do músico, Bairro da Música, pedem “o respeito pela privacidade do círculo íntimo do artista neste momento de dor”.

Com 54 anos de carreira, Jorge Palma partiu aos 76 de idade. Autor de letras e músicas que passaram gerações, como "Frágil", "Jeremias, o fora da lei", Bairro do Amor", "Estrela do Mar" ou "Deixa-me rir", Jorge Palma deixa "uma obra assinalável que faz parte da nossa história", revela a agência do músico, na sua página oficial das redes sociais.

Nos últimos 28 anos, Jorge Palma conversou, por diversas vezes, com o Ensino Magazine. Mais do que entrevistas foram diálogos improváveis, alguns fora da caixa, mas sempre com a música e o mundo como panos de fundo. 

"Aflige-me a violência que cada vez mais domina no mundo, afetando os jovens e, no fundo, toda a gente. É impressionante o estado a que o mundo chegou em termos de agressividade gratuita e inútil, visível diariamente nas mais diversas situações. É confrangedor os níveis de violência que se verificam um pouco por todo o lado e que a comunicação social nos transmite em bruto", disse numa das muitas conversas.

Numa outra recordou o seu processo criativo. "O meu primeiro disco foi gravado em 1972, em Inglês. De lá para cá, houve grandes evoluções, que corresponderam a fases e experiências que fui tendo ao longo do tempo e que reflecti nos discos que foram saindo. Os trabalhos que fiz são, aliás, a História da minha vida e de outras vidas com as quais me cruzei. Em cada momento, apresentei aquilo que eu próprio considerava mais adequado ao que sentia e pensava. Nunca enveredei por domínios que não eram intrinsecamente os meus. Acima de tudo, respeitei e respeito o meu modo de ver o mundo. E isso o público reconhece, tal como o observaria se o não fizesse".  

António José Seguro, Presidente da República, sublinha, que "Portugal despede-se de um dos seus ícones e de um dos grandes poetas da nossa música e da nossa sensibilidade. As suas canções hão de ficar como uma recordação intensa e profunda da nossa melancolia; elas marcaram a vida portuguesa durante décadas e, por muito tempo, hão de iluminar a memória de várias gerações", escreveu o chefe de Estado, numa mensagem de pesar.

O Presidente da República referiu que "estava previsto que este ano Jorge Palma participasse no programa da recente Festa do Livro em Belém", que se realizou no passado fim de semana, mas que isso não foi possível devido ao seu estado de saúde. "Por isso são ainda mais intensos o choque e a tristeza vividos hoje, com a notícia da sua morte", acrescentou.

Como forma de homenagem as suas músicas estiveram a ser emitidas junto ao Palácio de Belém.

Por sua vez, o presidente da Assembleia da República manifestou profundo pesar pela morte de Jorge Palma, realçando que foi uma das figuras mais marcantes da música portuguesa que deixa uma marca indelével na cultura nacional.

Luís Montenegro, Primeiro-Ministro, lembra que a obra de Jorge Palma “fica nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”. Numa publicação na rede social X, o Primeiro-Ministro deixou, em seu nome e em nome do Governo, as mais sentidas condolências “à família e aos amigos”. Também a ministra da Cultura e o ministro dos Negócios Estrangeiros, divulgaram notas de condolências e de homenagem ao músico e cantor português.

"Jorge Palma parte, mas a sua música fica”, refere Luís Montenegro, acrescentando que o legado do músico fica “sobretudo, na cultura portuguesa, que ajudou a transformar com a sua voz única e músicas intemporais”.

José Luís Carneiro, secretário-geral do PS, recorda Jorge Palma como um dos "maiores músicos e compositores" portugueses e a sua "obra extraordinária. Jorge Palma deixa-nos uma obra extraordinária, feita de palavras, melodias e canções que atravessaram gerações e que ficarão para sempre na memória coletiva dos portugueses", escreveu José Luís Carneiro, na sua página oficial na rede social X, afirmando que "Portugal perdeu hoje um dos seus maiores músicos e compositores". 

"Homem livre, de uma criatividade singular e de uma autenticidade rara", Jorge Palma "fez da música também uma forma de celebrar a liberdade", acrescentou José Luís Carneiro, que conclui: "Obrigado por tanto, Jorge Palma. A gente vai continuar".

Livre, PCP, BE e CDS-PP recordaram o músico Jorge Palma como uma “figura maior” e “voz única” da música contemporânea portuguesa, manifestando pesar pela sua morte aos 76 anos.

Numa publicação na rede social Instagram, o Livre lembrou que Jorge Palma foi “pianista, compositor e intérprete” e “construiu, ao longo de mais de cinco décadas, uma obra singular, livre e profundamente ligada às palavras e às histórias da vida”.

“Todos guardamos alguma música dele dentro de nós, e muitas outras nos foram acompanhando ao longo da vida. Embalou-nos na palma da sua mão com um percurso marcado por álbuns que refletiam diferentes vivências e mundos, e por canções que se tornaram parte da memória coletiva de várias gerações”, lê-se na publicação.

Recordando-o como “uma figura maior da música portuguesa contemporânea”, o Livre endereçou à família e amigos “as mais sentidas condolências”.

Já o PCP republicou uma mensagem escrita na página de Instagram da Festa do Avante!, onde o músico atuou, considerando que "Jorge Palma representa de forma insubstituível muito daquilo que é o Avante!: a amizade, o amor, o toque quente da pele no verão, o cobertor de esperança para atravessar o inverno, a vida que temos e a vida que queremos".

Posteriormente, em comunicado, os comunistas lembram Jorge Palma como “uma figura maior da música e da cultura portuguesas feitas e vividas em liberdade”, descrevendo-o como um músico que “cantou o amor, as fragilidades humanas e a vida na cidade com profunda delicadeza e sensibilidade”.

“As canções de Jorge Palma afirmavam também uma posição no plano político. Pela liberdade, pela democracia, por um Portugal construído pelo povo português, liberto da secular submissão aos poderes económicos, no fascismo ou nos anos das ‘troikas’, que desse sentido e construísse o caminho que Abril nos trouxe”, salienta também o partido.

Numa nota enviada à imprensa, o BE classificou Palma como “um dos maiores e mais permanentes nomes da música portuguesa” com uma vida e obra que “atravessaram países, juntaram geografias, cruzaram fronteiras”.

Com “mais de meio século de canções gravadas no imaginário de várias gerações”, o BE salienta que “não é possível desligar a obra de Jorge Palma da sua leitura política e social, gravada em tantos versos de canções que acompanharam debates, conversas e lutas”.

“Assim foi também nas posições públicas que assumiu ao longo da vida, contra as guerras, pelo Serviço Nacional de Saúde, pela despenalização da eutanásia, por condições de trabalho e vida digna, sempre pela liberdade”, lê-se na mensagem, na qual os bloquistas recordam o apoio do cantor nas legislativas de 2024.

O CDS-PP escreveu na rede social X que “Jorge Palma parte, mas a sua música fica” quer “nas palavras, nas melodias e na memória de várias gerações”.

“Uma voz única que deixa uma marca profunda na cultura portuguesa. À família e aos amigos, as nossas mais sentidas condolências”, lê-se na publicação.

Também o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) lembrou Palma como uma “referência incontornável do rock português e da canção de autor, um dos nomes maiores da música portuguesa contemporânea, erudita e popular”.

Jorge Palma, um dos cantores e compositores mais marcantes da música portuguesa contemporânea, morreu na segunda-feira à noite, aos 76 anos, anunciou a família nas redes sociais, pedindo que o autor seja lembrado “pelas suas canções e palavras”, agradecendo “toda a amizade demonstrada ao longo dos anos”.

 

 

EM com Lusa
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