A publicação dos rankings das escolas portuguesas volta a criar na opinião pública perceções erradas sobre qual é de facto a melhor escola, recaindo sobre o ensino público o ónus de ser pior que o privado. A publicação dos rankings das escolas portuguesas volta a criar na opinião pública perceções erradas sobre qual é de facto da melhor escola, recaindo sobre o ensino público o ónus de ser pior que o privado.
Na verdade, esta comparação de dados que não podem ser comparados sem se ter em conta o contexto de cada instituição e outros fatores externos - como a origem dos estudantes, os locais das escolas, a dimensão dos mega agrupamentos em que estão inseridas, as instalações, os fatores de inclusão, entre outros - cria uma narrativa incorreta na opinião pública.
Esta questão é potenciada pelo fator comunicação. Certamente que nos meios de comunicação social - com especial incidência para os canais televisivos e os seus espaços de comentários - a questão dos rankings vai dominar, durante largas horas o palco mediático. Ao não se abordar de forma profunda esta questão, presta-se um mau serviço à comunidade. E o pior que pode acontecer é informar com dados enviesados, condicionando o futuro.
Vejamos: como é possível comparar os resultados de uma escola privada, localizada numa zona nobre de uma determinada cidade - onde os pais pagam mensalidades elevadíssimas, onde há professores e tutores suficientes para ministrar as aulas e acompanhar os alunos no reforço da aprendizagem -, com uma escola pública, localizada numa zona do país com problemas demográficos e sociais, onde para além das aulas os estudantes não têm qualquer apoio educativo suplementar? Ou como é possível comparar duas escolas públicas, com realidades e origem dos alunos diferentes?
Será a melhor escola aquela que, num contexto escolar, social e económico adverso, localizada numa região deprimida ou num bairro problemático de uma qualquer cidade, consegue obter resultados escolares e sociais positivos, recuperando muitas vezes situações que pareciam impossíveis de ter solução? Ou será a escola inserida num cenário socioeconómico positivo, em que os pais dos alunos até têm possibilidade de pagar explicações aos seus filhos?
A publicação destes rankings é perigosa. Além de influenciarem a escolha do futuro dos jovens, denegrindo muitas vezes trabalho sério e eficaz, revelam desconhecimento do país real, das escolas portuguesas e do seu funcionamento. Denotam, na análise, ligeireza.
Sempre o defendi: os rankings devem constituir um instrumento de trabalho para as escolas, para os agrupamentos e, porque não dizê-lo, para os mega agrupamentos, que cada vez mais são um conjunto de mega problemas, que não conseguem dar resposta às exigências das instituições de ensino, onde circulação de documentos internos é um autêntico quebra-cabeças.
Os resultados devem ser um instrumento de reflexão e de análise à realidade de cada estabelecimento de ensino, do meio em que está inserido e da comunidade que serve. Uma reflexão do ponto de partida e do ponto de chegada de cada escola.
Infelizmente, os «sound bites» continuam a fazer caminho. E como quando somos mal informados formamos opiniões incorretas e tomamos decisões que depois nos arrependemos, o país, concluímos que a publicação dos rankings das escolas é um mau exercício de liberdade.