Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor
Aeródromo topo de gama
Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor,
explica ao Ensino Magazine a estratégia que o concelho está a
implementar no setor aeronáutico. Uma aposta que já criou cerca de
200 postos de trabalho no Aeródromo de Ponte de Sor, que reúne
instituições de ensino superior, empresas, Proteção Civil e uma
escola de aviação num complexo que começa a ser cada vez mais
procurado e que tem marcado a diferença.
No aeródromo de Ponte de
Sor já foram criados 200 postos de trabalho, fruto das entidades e
empresas ali estabelecidas e do investimento da autarquia. Como
avalia este percurso?
É importante referir que tudo
começa na implementação de uma estratégia de desenvolvimento
económico. Considerámos fundamental cabimentar, no nosso orçamento,
uma verba significativa para essa questão. Fizemos isso, tendo em
conta os pontos fracos e fortes do nosso território. Tentámos
reforçar as atividades inerentes ao setor da cortiça, que é o que
pauta a atividade do nosso concelho, com 600 postos de trabalho
diretos e indiretos.
Mas nunca fugindo à nossa essência
na perspetiva de cimentar os setores florestal e agrícola, surgiram
novas apostas por audácia e visão de executivos anteriores, tendo
em conta a carta estratégica que o município lançou. O que acontece
é que as coisas foram evoluindo. Começámos com uma pista mais
pequena, mas as coisas foram crescendo. Ganhámos um concurso para a
instalação dos meios aéreos da Proteção Civil, e a pista teve que
ser aumentada. Tornámo-nos cada vez mais atrativos, quer pela
infraestrutura, quer pela localização, pelo não congestionamento do
tráfego aéreo, ou pela proximidade de um plano de água.
Isso garantiu
atratividade?
Sim, e as empresas começaram a
querer vir para Ponte de Sor. Não queremos ganhar dinheiro com
Aeródromo, queremos que ele seja auto-sustentável. E por isso somos
mais competitivos. A Câmara, à semelhança do que fez na zona
industrial em que criou condições para que quatro grandes grupos
económicos no setor da cortiça aqui se instalassem, ou como fez no
«ninho de empresas», que permitiu fixar pequenas e micro empresas,
também está a investir no Aeródromo sempre na perspetiva de criar
emprego.
Mas a aposta do município é
feita também na qualificação e investigação, como o demonstram os
acordos com as instituições de ensino superior…
Essa foi uma visão que tivemos no
início deste mandato. Um investimento desta dimensão (humana,
social e económica) não poderia ficar órfão da vertente académica e
científica. É isso que vai sustentar as raízes que estão a ser
criadas. Todas as empresas e alunos poderão beneficiar disso. Por
exemplo, nós temos alunos de muitas nacionalidades que falam várias
línguas. Com o Instituto Politécnico de Portalegre damos a
possibilidade de eles aprenderem outras línguas, através da criação
de uma escola internacional de línguas que funciona desde o ano
passado no aeródromo, mas que também forma já alunos na própria
cidade.
A parte científica e de
investigação abre--nos portas infinitas. Podemos entrar por várias
áreas que podem fazer crescer as empresas e atrair outras. E isso é
muito bom e interessa-nos.
E como é que as
instituições de ensino superior responderam ao vosso
desafio?
Nós fizemos um percurso com
pezinhos de veludo, pois sabíamos que estávamos a criar aqui
qualquer coisa que iria ser invejada por muitos. E às vezes em
Portugal é isso que acontece, pelo que percorremos o nosso caminho.
Hoje o que aqui temos é uma realidade. A maior parte das
instituições de ensino superior com formação ligada à aeronáutica
não conhecia as nossas estruturas e nós convidámo-las a visitá-las.
Todas as que convidámos, e só nos interessa as que têm atividades
ligadas à aeronáutica, estabeleceram acordos de cooperação. As
próprias instituições estão tão empenhadas como nós em desenvolver
aqui um conjunto importante de atividades.
Este é um embrião para que
Ponte de Sor possa vir a ser a capital académica na área da
aeronáutica?
Não vejo as coisas nessa
perspetiva. A nossa região tem condições ímpares para que este
setor se desenvolva. Estamos a uma hora de Évora e podemos ser
complementares uma da outra. Quando todas as sinergias que se
conseguirem criar estiverem cimentadas, e porque não associar Beja
ou Castelo Branco, poderá desenvolver-se um cluster. Nós queremos
ser uma parte dele. Não podemos é fazer o mesmo que os outros já
fazem, que foi o grande erro que as instituições de ensino superior
fizeram, replicando os cursos. Temos que ser diferenciadores. Já
temos a Proteção Civil, a segurança com um corpo operacional de
bombeiros no Aeródromo, a investigação, uma escola de aviação, o
ensino superior, e empresas na área da aeronáutica. Estamos a
sustentar um projeto que é diferenciador e enriquecedor para o
interior do país. E nesse aspeto estamos satisfeitos.