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Director Fundador: João Ruivo Director: João Carrega Ano XXI Nº248  Outubro 2018
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Hugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor
Aeródromo topo de gama

IMG_2073.jpgHugo Hilário, presidente da Câmara de Ponte de Sor, explica ao Ensino Magazine a estratégia que o concelho está a implementar no setor aeronáutico. Uma aposta que já criou cerca de 200 postos de trabalho no Aeródromo de Ponte de Sor, que reúne instituições de ensino superior, empresas, Proteção Civil e uma escola de aviação num complexo que começa a ser cada vez mais procurado e que tem marcado a diferença.

No aeródromo de Ponte de Sor já foram criados 200 postos de trabalho, fruto das entidades e empresas ali estabelecidas e do investimento da autarquia. Como avalia este percurso?

É importante referir que tudo começa na implementação de uma estratégia de desenvolvimento económico. Considerámos fundamental cabimentar, no nosso orçamento, uma verba significativa para essa questão. Fizemos isso, tendo em conta os pontos fracos e fortes do nosso território. Tentámos reforçar as atividades inerentes ao setor da cortiça, que é o que pauta a atividade do nosso concelho, com 600 postos de trabalho diretos e indiretos.

Mas nunca fugindo à nossa essência na perspetiva de cimentar os setores florestal e agrícola, surgiram novas apostas por audácia e visão de executivos anteriores, tendo em conta a carta estratégica que o município lançou. O que acontece é que as coisas foram evoluindo. Começámos com uma pista mais pequena, mas as coisas foram crescendo. Ganhámos um concurso para a instalação dos meios aéreos da Proteção Civil, e a pista teve que ser aumentada. Tornámo-nos cada vez mais atrativos, quer pela infraestrutura, quer pela localização, pelo não congestionamento do tráfego aéreo, ou pela proximidade de um plano de água.

Isso garantiu atratividade?

Sim, e as empresas começaram a querer vir para Ponte de Sor. Não queremos ganhar dinheiro com Aeródromo, queremos que ele seja auto-sustentável. E por isso somos mais competitivos. A Câmara, à semelhança do que fez na zona industrial em que criou condições para que quatro grandes grupos económicos no setor da cortiça aqui se instalassem, ou como fez no «ninho de empresas», que permitiu fixar pequenas e micro empresas, também está a investir no Aeródromo sempre na perspetiva de criar emprego.

Mas a aposta do município é feita também na qualificação e investigação, como o demonstram os acordos com as instituições de ensino superior…

Essa foi uma visão que tivemos no início deste mandato. Um investimento desta dimensão (humana, social e económica) não poderia ficar órfão da vertente académica e científica. É isso que vai sustentar as raízes que estão a ser criadas. Todas as empresas e alunos poderão beneficiar disso. Por exemplo, nós temos alunos de muitas nacionalidades que falam várias línguas. Com o Instituto Politécnico de Portalegre damos a possibilidade de eles aprenderem outras línguas, através da criação de uma escola internacional de línguas que funciona desde o ano passado no aeródromo, mas que também forma já alunos na própria cidade.

A parte científica e de investigação abre--nos portas infinitas. Podemos entrar por várias áreas que podem fazer crescer as empresas e atrair outras. E isso é muito bom e interessa-nos.

E como é que as instituições de ensino superior responderam ao vosso desafio?

Nós fizemos um percurso com pezinhos de veludo, pois sabíamos que estávamos a criar aqui qualquer coisa que iria ser invejada por muitos. E às vezes em Portugal é isso que acontece, pelo que percorremos o nosso caminho. Hoje o que aqui temos é uma realidade. A maior parte das instituições de ensino superior com formação ligada à aeronáutica não conhecia as nossas estruturas e nós convidámo-las a visitá-las. Todas as que convidámos, e só nos interessa as que têm atividades ligadas à aeronáutica, estabeleceram acordos de cooperação. As próprias instituições estão tão empenhadas como nós em desenvolver aqui um conjunto importante de atividades.

Este é um embrião para que Ponte de Sor possa vir a ser a capital académica na área da aeronáutica?

Não vejo as coisas nessa perspetiva. A nossa região tem condições ímpares para que este setor se desenvolva. Estamos a uma hora de Évora e podemos ser complementares uma da outra. Quando todas as sinergias que se conseguirem criar estiverem cimentadas, e porque não associar Beja ou Castelo Branco, poderá desenvolver-se um cluster. Nós queremos ser uma parte dele. Não podemos é fazer o mesmo que os outros já fazem, que foi o grande erro que as instituições de ensino superior fizeram, replicando os cursos. Temos que ser diferenciadores. Já temos a Proteção Civil, a segurança com um corpo operacional de bombeiros no Aeródromo, a investigação, uma escola de aviação, o ensino superior, e empresas na área da aeronáutica. Estamos a sustentar um projeto que é diferenciador e enriquecedor para o interior do país. E nesse aspeto estamos satisfeitos.