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Director Fundador: João Ruivo Director: João Carrega Ano XXI Nº248  Outubro 2018
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Actualidade

Manuel Heitor, ministro do Ensino Superiores
“Os portugueses estão a estudar mais”

1111111111111 cópia.jpgO Ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, voltou a reiterar a ideia de que não há ensino superior a mais em Portugal. Num encontro que manteve com os jornalistas e onde o Ensino Magazine marcou presença, aquele responsável falou do que é necessário para trazer mais alunos para as universidades e politécnicos.

Manuel Heitor lembrou que os "números deste ano demonstram que houve um aumento de 6 por cento no total de estudantes que vão ser colocados no concurso nacional de acesso. E esse facto deve-nos orgulhar, porque os portugueses estão a estudar mais. Mas quando nos comparamos com outros países europeus, sabemos que este aumento, positivo, tem que continuar. E é essa a nossa aposta para esta legislatura, no sentido de virmos a alargar a base social do ensino superior, conjuntamente com a qualidade progressiva e gradual desse ensino, o qual é reconhecido internacionalmente".

O ministro considera que são necessárias medidas para alargar a base social do ensino superior. "Estamos a aumentar o apoio social aos estudantes e reorientámos o programa + Superior para poder atrair mais jovens para instituições localizadas em zonas de baixa densidade populacional. Mas além disso é importante diversificar o tipo de ensino, de forma a que tenhamos o ensino superior mais associado às vontades e atitudes dos jovens, mas também às necessidades do mercado laboral".

Manuel Heitor fala do reforço do "ensino superior politécnico. Nos últimos meses foram disponibilizados cerca de 70 milhões de euros, dos quais 45 milhões destinam-se aos cursos de formações curtas (quer para equipamentos, quer para funcionamento) e 23 milhões de euros para apoio a atividades de investigação, sobretudo baseadas na prática no ensino politécnico. Só através da atividade sistemática de investigação e desenvolvimento poderemos melhor capacitar as instituições".

O ministro sublinhou também o "apoio contínuo e sistemático ao ensino universitário, envolvendo-o cada vez mais nas redes internacionais de ensino e investigação, pelo que foi aprovado um programa de estímulo ao emprego científico que vai certamente beneficiar as instituições, e rejuvenescer o seu corpo docente e de investigação".

Deste modo, assegura o ministro da tutela: "há três tipos de políticas públicas que têm vindo a ser implementadas e que passam por alargar a base do ensino superior, pelo reforço do topo do sistema com mais investigação e por diversificar o sistema através, sobretudo, do fortalecimento e da especialização do ensino superior politécnico".

O governante defende "um ensino superior cada vez mais inclusivo e socialmente responsável, capaz de integrar e acolher plenamente todos os que o procuram, nomeadamente cidadãos com necessidades educativas especiais, valorizando a diversidade e a multiculturalidade".

Aponta ainda como aposta "o estabelecimento de condições contratuais com as instituições de ensino superior, garantindo a necessária estabilidade no financiamento ao longo da legislatura".

Em resposta às questões dos jornalistas, Manuel Heitor voltou a reiterar o que já tinha referido ao Ensino Magazine, quando entrou em funções: "Não há instituições de ensino superior, nem cursos, a mais. O que temos é alunos, porventura, a menos. O que fizemos com esta divulgação dos resultados, foi apresentar não só os dados da 1ª fase de acesso ao ensino superior, mas providenciar os dados com estimativas de todo o acesso (três fases do concurso nacional e regimes especiais). E quando olhamos para todos os regimes de acesso, não há nenhuma instituição que fique abaixo das vagas abertas. Todas estão acima dos 100%. Isto é, têm mais estudantes do que as vagas que abriram".

O ministro destacou o trabalho significativo que "as instituições de ensino superior, politécnicas e universitárias, têm feito para atrair estudantes e a adaptarem-se a um mercado de trabalho mais exigente, mas com mais capacidade de interação com as academias".

Manuel Heitor lembrou ainda que "hoje o ensino superior português cobre todas as áreas de intervenção", explicando que cerca de 30% referem-se a ciências e tecnologias. "Mas temos uma grande base de formação nas ciências sociais e de humanidades, assim como nas ciências da vida e da natureza. Quando olhamos para o total da oferta do ensino superior e para as escolhas dos candidatos, verificamos que temos uma distribuição de áreas que é muito semelhante à média europeia. E é importante termos um sistema de ensino superior que permita ao estudante optar pelas suas próprias decisões. O mais importante é estudar. Acreditamos que o mercado de trabalho, que é cada vez mais dinâmico, valoriza progressivamente uma sociedade multidisciplinar com vontades e atitudes em diferentes áreas. As políticas públicas devem garantir e dar oportunidades aos jovens para estudarem aquilo que eles verdadeiramente acham que devem prosseguir".