Manuel Heitor, ministro do Ensino Superiores
“Os portugueses estão a estudar mais”
O Ministro
do Ensino Superior, Manuel Heitor, voltou a reiterar a ideia de que
não há ensino superior a mais em Portugal. Num encontro que manteve
com os jornalistas e onde o Ensino Magazine marcou presença, aquele
responsável falou do que é necessário para trazer mais alunos para
as universidades e politécnicos.
Manuel Heitor lembrou que os
"números deste ano demonstram que houve um aumento de 6 por cento
no total de estudantes que vão ser colocados no concurso nacional
de acesso. E esse facto deve-nos orgulhar, porque os portugueses
estão a estudar mais. Mas quando nos comparamos com outros países
europeus, sabemos que este aumento, positivo, tem que continuar. E
é essa a nossa aposta para esta legislatura, no sentido de virmos a
alargar a base social do ensino superior, conjuntamente com a
qualidade progressiva e gradual desse ensino, o qual é reconhecido
internacionalmente".
O ministro considera que são
necessárias medidas para alargar a base social do ensino superior.
"Estamos a aumentar o apoio social aos estudantes e reorientámos o
programa + Superior para poder atrair mais jovens para instituições
localizadas em zonas de baixa densidade populacional. Mas além
disso é importante diversificar o tipo de ensino, de forma a que
tenhamos o ensino superior mais associado às vontades e atitudes
dos jovens, mas também às necessidades do mercado laboral".
Manuel Heitor fala do reforço do
"ensino superior politécnico. Nos últimos meses foram
disponibilizados cerca de 70 milhões de euros, dos quais 45 milhões
destinam-se aos cursos de formações curtas (quer para equipamentos,
quer para funcionamento) e 23 milhões de euros para apoio a
atividades de investigação, sobretudo baseadas na prática no ensino
politécnico. Só através da atividade sistemática de investigação e
desenvolvimento poderemos melhor capacitar as instituições".
O ministro sublinhou também o
"apoio contínuo e sistemático ao ensino universitário, envolvendo-o
cada vez mais nas redes internacionais de ensino e investigação,
pelo que foi aprovado um programa de estímulo ao emprego científico
que vai certamente beneficiar as instituições, e rejuvenescer o seu
corpo docente e de investigação".
Deste modo, assegura o ministro da
tutela: "há três tipos de políticas públicas que têm vindo a ser
implementadas e que passam por alargar a base do ensino superior,
pelo reforço do topo do sistema com mais investigação e por
diversificar o sistema através, sobretudo, do fortalecimento e da
especialização do ensino superior politécnico".
O governante defende "um ensino
superior cada vez mais inclusivo e socialmente responsável, capaz
de integrar e acolher plenamente todos os que o procuram,
nomeadamente cidadãos com necessidades educativas especiais,
valorizando a diversidade e a multiculturalidade".
Aponta ainda como aposta "o
estabelecimento de condições contratuais com as instituições de
ensino superior, garantindo a necessária estabilidade no
financiamento ao longo da legislatura".
Em resposta às questões dos
jornalistas, Manuel Heitor voltou a reiterar o que já tinha
referido ao Ensino Magazine, quando entrou em funções: "Não há
instituições de ensino superior, nem cursos, a mais. O que temos é
alunos, porventura, a menos. O que fizemos com esta divulgação dos
resultados, foi apresentar não só os dados da
1ª fase de acesso ao ensino
superior, mas providenciar os dados com estimativas de todo o
acesso (três fases do concurso nacional e regimes especiais). E
quando olhamos para todos os regimes de acesso, não há nenhuma
instituição que fique abaixo das vagas abertas. Todas estão acima
dos 100%. Isto é, têm mais estudantes do que as vagas que
abriram".
O ministro destacou o trabalho
significativo que "as instituições de ensino superior, politécnicas
e universitárias, têm feito para atrair estudantes e a adaptarem-se
a um mercado de trabalho mais exigente, mas com mais capacidade de
interação com as academias".
Manuel Heitor lembrou ainda que
"hoje o ensino superior português cobre todas as áreas de
intervenção", explicando que cerca de 30% referem-se a ciências e
tecnologias. "Mas temos uma grande base de formação nas ciências
sociais e de humanidades, assim como nas ciências da vida e da
natureza. Quando olhamos para o total da oferta do ensino superior
e para as escolhas dos candidatos, verificamos que temos uma
distribuição de áreas que é muito semelhante à média europeia. E é
importante termos um sistema de ensino superior que permita ao
estudante optar pelas suas próprias decisões. O mais importante é
estudar. Acreditamos que o mercado de trabalho, que é cada vez mais
dinâmico, valoriza progressivamente uma sociedade multidisciplinar
com vontades e atitudes em diferentes áreas. As políticas públicas
devem garantir e dar oportunidades aos jovens para estudarem aquilo
que eles verdadeiramente acham que devem prosseguir".