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Director Fundador: João Ruivo Director: João Carrega Ano XXI Nº248  Outubro 2018
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1ª Coluna

Primeira Coluna
A crise que a crise cria

IMG_1620.jpgOs cortes anunciados para o setor educativo em Portugal voltam a colocar a escola pública e o ensino superior na ordem do dia. O Orçamento de Estado para 2014 traz mais austeridade, mais intranquilidade e, sobretudo, mais insensibilidade perante aquilo que deve ser o acesso ao saber de todos os portugueses.

A situação não é nova e o país continua, apesar de tantos cortes, com a corda na garganta. A diminuição dos vencimentos dos salários da função pública, que gradualmente se está a generalizar ao privado, o aumento dos impostos, a carga fiscal sobre as empresas e os contribuintes, etc, parecem não ser suficiente. A título de exemplo, refira-se que o valor reduzido nos vencimentos nas câmaras municipais em vez de ir para uma conta de pagamento de dívida do próprio Estado fica... nas contas das autarquias. Resultado, se a gestão autárquica for boa, as contas dos municípios aumentam, mas o défice do país não diminui. Se as gestões forem desastrosas (e há muitas por aí, que até obrigaram a intervenções superiores) esse dinheiro é gasto à tripa forra e ficamos sem dinheiro e com mais dívida.

Estamos perante uma situação que exigia mais rigor, mais tempo e um pouco mais de compreensão para com o povo português. Um povo que deve ver garantido o serviço público em muitas áreas, como a educação. Este ano milhares de alunos do ensino secundário optaram por não se candidatar ao ensino superior. Podem existir muitas razões, mas a falta de poder económico das famílias e o conselho do próprio governo aos jovens para que estes emigrem, como que a dizer que em Portugal não há futuro, têm influência.

A crise que o país está a viver cria, por isso, uma nova crise, a de valores. Dos valores éticos, da verdade, do orgulho e de trabalho. Ao massacre com que a maioria dos portugueses tem sido bombardeada, junta-se as peripécias políticas, a sede de poder e a insistente máxima, que qualquer dia vira provérbio, e que nos diz que os portugueses gastaram mais que as suas possibilidades.

E a escola pública, como está, perante tudo isto?, perguntam. Vai resistindo devido à resiliência de professores e funcionários que, como sempre, procuram ensinar (os primeiros) e zelar pela escola e pelo seu bom funcionamento. É assim, mesmo quando ouvem notícias sobre despedimentos, mobilidade, redução de vencimentos, e outras coisas que tais...