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Director Fundador: João Ruivo Director: João Carrega Ano XXI Nº248  Outubro 2018
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Universidade

Paulo Querido na UBI
Jornalismo e tecnologia

Jornalismo e tecnologia vão ter de caminhar juntos. Os consumidores de informação - muitos deles já migraram dos meios tradicionais para os suportes digitais - terão percebido a importância deste cruzamento. Mas e dentro das redações? Paulo Querido, jornalista, blogger e articulista destas áreas, defendeu na UBI, a 20 de fevereiro, que os profissionais com formação tecnológica vão acabar por ser integrados nos locais onde se produz informação e deixar de ser "outsiders" nestes espaços.

"A mensagem principal é que há pontes entre as duas situações. Há um aproximar dos dois mundos. Por um lado, as pessoas de tecnologia podem ter oportunidades no campo do jornalismo e, por outro lado, a aproximação dos jornalistas de uma linguagem - não só de uma linguagem, de uma filosofia - e de um conjunto de coisas que para eles são novidade e que têm de começar a dominar e perceber", acrescentou.

Porque conhecimentos para "lidar com as linguagens de programação, 'backend' ou 'frontend', para melhorar os processos e os serviços que o jornalismo presta são competências claramente do jornalista", descreve Paulo Querido, que se apresentou durante o seminário de Doutoramento/LabCom.ifp, como "jornalista-programador".

A junção - que irá inevitavelmente acontecer - não é diferente do que aconteceu com o abrir de portas a outras funções na produção informativa. A título de exemplo são apontados os fotojornalistas, radialistas ou até os infográficos, que inicialmente eram vistos como outsiders à profissão e que hoje estão plenamente integrados nas redacções.

"Da mesma maneira que temos numa redação grande os editores de texto, de fotografia, já temos hoje nos jornais online os editores multimédia. E teremos o editor de aplicações de 'java script', o editor tecnológico. Não das notícias de tecnologia, mas das componentes tecnológicas de um site de informação", salienta. O especialista não prevê um período longo para que esta realidade faça parte do ecossistema mediático - "talvez dentro de dois, três anos" -, apontando indícios claros desta tendência no diário online Observador.

Rodolfo Pinto Sousa