Paulo Querido na UBI
Jornalismo e tecnologia
Jornalismo e tecnologia vão ter de
caminhar juntos. Os consumidores de informação - muitos deles já
migraram dos meios tradicionais para os suportes digitais - terão
percebido a importância deste cruzamento. Mas e dentro das
redações? Paulo Querido, jornalista, blogger e articulista destas
áreas, defendeu na UBI, a 20 de fevereiro, que os profissionais com
formação tecnológica vão acabar por ser integrados nos locais onde
se produz informação e deixar de ser "outsiders" nestes
espaços.
"A mensagem principal é que há
pontes entre as duas situações. Há um aproximar dos dois mundos.
Por um lado, as pessoas de tecnologia podem ter oportunidades no
campo do jornalismo e, por outro lado, a aproximação dos
jornalistas de uma linguagem - não só de uma linguagem, de uma
filosofia - e de um conjunto de coisas que para eles são novidade e
que têm de começar a dominar e perceber", acrescentou.
Porque conhecimentos para "lidar com
as linguagens de programação, 'backend' ou 'frontend', para
melhorar os processos e os serviços que o jornalismo presta são
competências claramente do jornalista", descreve Paulo Querido, que
se apresentou durante o seminário de Doutoramento/LabCom.ifp, como
"jornalista-programador".
A junção - que irá inevitavelmente
acontecer - não é diferente do que aconteceu com o abrir de portas
a outras funções na produção informativa. A título de exemplo são
apontados os fotojornalistas, radialistas ou até os infográficos,
que inicialmente eram vistos como outsiders à profissão e que hoje
estão plenamente integrados nas redacções.
"Da mesma maneira que temos numa
redação grande os editores de texto, de fotografia, já temos hoje
nos jornais online os editores multimédia. E teremos o editor de
aplicações de 'java script', o editor tecnológico. Não das notícias
de tecnologia, mas das componentes tecnológicas de um site de
informação", salienta. O especialista não prevê um período longo
para que esta realidade faça parte do ecossistema mediático -
"talvez dentro de dois, três anos" -, apontando indícios claros
desta tendência no diário online Observador.